Incra congela R$ 1,6 milhão para cidade de Goiás. Prefeita se diz “boicotada”

Selma Bastos afirma que “o recurso do Incra nacional foi creditado dinheiro em tempo hábil e a superintendência não fez repasse em tempo hábil”

Selma Bastos, prefeita da Cidade de Goiás

“Boicotada”. É assim que se sente a prefeita da cidade de Goiás, Selma Bastos (PT), ao comentar o inexplicável atraso da superintendência do Incra no Estado para liberar um trator e R$ 1,649 milhão para obras em assentamento do município.

O dinheiro foi repassado pelo Incra nacional e havia condições plenas para que chegasse aos cofres da prefeitura antes do fim do prazo permitido pela legislação eleitoral, que é 6 de julho. A primeira parcela, de R$ 338 mil, foi descentralizada para a superintendência goiana exatamente um mês antes. O resto foi descentralizado também em tempo útil. Por razões que o Incra do Estado não esclarece, este dinheiro não chegou ao seu objetivo final.

“Fui boicotada. O recurso do Incra nacional foi creditado dinheiro em tempo hábil e a superintendência não fez repasse em tempo hábil”, afirma Selma Bastos. “Já poderia ter iniciado a obra assentamento para reforma agrária no município de Goiás e agora corremos o risco de perder a verba”.

A única manifestação oficial do Incra sobre o assunto é um ofício datado em 27 de junho de 2018 em que o superintendente do Incra no Estado, Eurípedes Malaquias, afirma que o repasse não poderia ser feito para gestão de Selma porque ela tinha pendências no Cauc e Cadin, que é similar a uma pessoa física ter o nome pendurado no Serasa.

Esta justificativa caiu por terra no dia 3 de julho. Selma encaminhou ao Incra extrato que atestou a situação absolutamente regular do município de Goiás no Cauc e Cadin. O superintendente não respondeu ao documento.

A última comunicação entre a prefeitura foi um ofício remetido ao Incra pela prefeita Selma no dia 11 de julho deste ano cobrando explicações sobre o atraso no repasse do R$ 1,6 milhão. A prefeitura pergunta se o dinheiro enviado pelo Incra nacional foi pelo menos registrado no sistema do órgão. Mas não houve resposta.

A prefeitura cogita recorrer à Justiça.

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