Igreja Universal deve dizer “não” à aliança de João Campos com Mendanha

João Campos quer anunciar apoio a Mendanha, mas enfrenta a barreira de quem organizou o Republicanos em Goiás e no país

O deputado federal João Campos — presidente do Republicanos em Goiás — anunciou, nos quatro cantos do Estado, que deverá ser candidato a senador na chapa do pré-candidato a governador do Patriota, Gustavo Mendanha.

Mas o parlamentar esqueceu de combinar com os “russos”, quer dizer, com os principais dirigentes e militantes do Republicanos em Goiás — que são ligados à Igreja Universal.

Ao contrário do que alguns dizem, a cúpula da Igreja Universal não faz jogo duplo e é firme no apoio à reeleição do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, do União Brasil. Há uma identidade ideológica sólida entre o gestor estadual e a cúpula da igreja, uma das maiores e mais importantes do país.

Há quem postule que João Campos, ante a pressão da Igreja Universal e dos seus principais líderes políticos, pode recuar. No momento, Sandro Mabel, que não tem simpatia pela Igreja, joga pesado para retirar o Republicanos do campo de apoio a Ronaldo Caiado. Resta saber quem realmente tem mais força: se o prefeito de Goiânia, Rogério Cruz, e o deputado estadual Jefferson Rodrigues, que são filiados ao partido e são ligados à Igreja Universal, ou Sandro Mabel e seu novo pupilo, João Campos.

Sabe-se que deputados federais “valem” mais do que senadores. Pelo seguinte: o Fundo Partidário, o Fundo Eleitoral e o templo de televisão dos partidos políticos são definidos pelo número de deputados federais, e não pelo número de senadores.

O Republicanos tem a chance de eleger pelo menos três deputados federais: Jefferson Rodrigues, Rafael Gouveia e Rodney Miranda. Os três apoiam a reeleição de Ronaldo Caiado e, dependendo do rumo do Republicanos, podem trocar a disputa de deputado federal pela de estadual. Claro que é uma hipótese remota, mas é factível. Noutras palavras, o partido não elegeria nenhum deputado federal em 2022, o que desagradaria profundamente a cúpula nacional (leia-se Marcos Pereira).

Por que, então, o Republicanos sacrificaria seus principais candidatos a deputado federal para bancar João Campos para senador? Não há nenhuma lógica. Portanto, se contraria a lógica — e não há nenhuma certeza de que, candidato, João Campos será eleito —, por que o Republicanos tomará a decisão de optar por uma disputa incerta, a de senador, deixando de lado eleições praticamente certas, como a de dois ou três deputados federais?

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