Ibaneis Rocha traz Arruda de volta à política do DF mas esbarra em Leila do Vôlei e Izalci Lucas

José Roberto Arruda planeja lançar sua mulher, Flávia Arruda, para vice do governador do Distrito Federal. Mas antes precisa combinar com os russos — os eleitores

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, do MDB, é, como político e gestor, populista. Tecnicamente, tenta se mostrar como diferente do presidente Jair Bolsonaro, mas, a rigor, é uma cópia do político nacional. Fala em nova política, mas suas pilastras estão assentadas sobre a areia movediça da velha política.

Flávia Arruda, deputada federal, e José Roberto Arruda, ex-governador | Foto: Reprodução

De um lado, Ibaneis Rocha ancora-se no porto de Tadeu Filippelli, emedebista envolvido em escândalos e respondendo a processo judicial complicado. De outro, ancora-se no porto do onipresente José Roberto Arruda, que foi afastado do governo do Distrito Federal sob acusação de corrupção e chegou a ser preso.

Agindo nas sombras, com rara habilidade, Arruda é chamado, por vezes, de José de Paris (a eminência parda do cardeal de Richelieu) e de Fouché. É um operador, um homem de quase todos os governos, direta ou indiretamente. No “de” Ibaneis Rocha, o secretário de Governo, José Humberto Pires, é visto como o principal “arrudista”. Há quem o considere como uma espécie de governador adjunto — dada a falta de aptidão de Ibaneis Rocha pela gestão do dia a dia.

Segundo um deputado distrital, a face pública da força de Arruda — visto como uma espécie de Joaquim Roriz com mais neurônios (não chega a confundir com Kafka com Kafta) — ficará mais evidente quando sua mulher, Flávia Arruda (Flávia Carolina Péres), de 40 anos, do PL (partido controlado pelo notório Valdemar Costa Neto), surgir como candidata a vice de Ibaneis Rocha, em 2022. O vice-governador atual, Paco Britto (Marcus Vinícius Britto de Albuquerque Dias), do Avante, teria sido convencido por Ibaneis Rocha a disputar mandato de deputado federal. Com tudo pago pela estrutura do governador.

José Roberto Arruda e Ibaneis Rocha: aliados incontornáveis | Fotos: Reproduções

Citando Garrincha, o grande jogador, se poderia sugerir: Ibaneis Rocha “combinou com os russos”, quer dizer, com os eleitores? Com José Roberto Arruda atuando nas sombras do governo, como uma espécie de governador da informalidade, não se cria problemas em termos de avaliação do governo. Entretanto, se Flávia Arruda for confirmada como vice, a relação vai se tornar explícita. Para efeitos do jogo político, Flávia Arruda estaria dizendo que tende a disputar mandato de senadora. Mas é pura cortina de fumaça. Na verdade, apresenta-se como postulante ao Senado para, em seguida, negociar a vice. Por que a sra. Arruda prefere a vice ao Senado? Por dois motivos. Primeiro, porque não tem condições de derrotar o senador José Antônio Reguffe, do Podemos, que é extremamente popular, dado ser conhecido como um político decente, numa política de tantas indecências. Segundo, por mhbnque se Ibaneis Rocha for reeleito, em 2026 deixará o governo para disputar o governo, aí o (ou a) vice assume o governo e se torna candidato (a) natural à reeleição. Arruda, o engenheiro José Roberto, não brinca em serviço.

Leila do Vôlei e Izalci Lucas estão no páreo

Leila do Vôlei, senadora do Cidadania | Foto: Reprodução

Mas há outro drummond no meio do caminho. Ibaneis Rocha, como tem muito dinheiro e devido à aliança com os Arruda — a dinastia que substitui a de Roriz —, parece acreditar que já está reeleito. Por razões óbvias, não está. Há uma oposição consistente em Brasília e os eleitores gostam de mudança.

O Cidadania deve bancar Leila do Vôlei para o governo. A senadora é popular tanto por ter sido jogadora da Seleção Brasileira de Vôlei quanto por sua imagem de política decente. Não tem a estrutura financeira de Ibaneis Rocha, milionário que fez fortuna com advocacia, mas é altamente aprovada pelos eleitores de Brasília. Tende a crescer durante a campanha, sobretudo se efetivada a parceria político-eleitoral como o senador Reguffe, conhecido como Sr. Honestidade.

Izalci Lucas, senador pelo PSDB | Foto: Senado

Uma chapa majoritária com Leila do Vôlei e Reguffe, dado seu caráter qualitativo, em termos éticos e de propósitos, é apontada como uma espécie de dream team da política de Brasília. E como há muito não se via na capital construída por Juscelino Kubitschek com o apoio de Israel Pinheiro, Lucio Costa, Oscar Niemeyer e milhares de candangos.

Não se deve subestimar o senador Izalci Lucas — que é um articulador hábil e pode montar uma chapa competitiva para disputa do governo do Distrito Federal. O principal problema dele é o PSDB — considerado como uma espécie de Partido do Caixão Político. Mas, na capital, ele é maior do que o partido e tem uma imagem positiva.

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