Ibaneis luta para obter apoio de Bolsonaro, mas pode ser abandonado por todos em Brasília

Flávia Arruda pode compor com o governador? Pode. Mas só se houver garantia de que não estará embarcando em canoa furada

Jair Bolsonaro e Flávia Arruda: aposta pode ser na novidade | Foto: Reprodução

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, parece uma mistura de personagem de Frank Kafka, de “A Metamorfose”, com personagem de Machado de Assis, de “O Alienista”. Trata-se de um político caótico, que parecia avaliar, num primeiro momento, que não precisava de ninguém. Agora, em desespero, está procurando “aliados” que, em dois anos e cinco meses, foram tratados praticamente como “inimigos”.

Aliados de Ibaneis Rocha sustentam que o governador vai disputar a reeleição com o apoio do presidente Jair Bolsonaro. Estariam sugerindo, inclusive, que o gestor do Distrito Federal deve se desfiliar do MDB para se filiar ao novo partido de Bolsonaro, possivelmente o Patriota.

A articulação pode dar certo, é claro. Mas aliados de Bolsonaro indicam que o presidente estaria desconfiado a respeito da “pressa” de Ibaneis Rocha em se apresentar como “aliado”. Não só. O gestor federal teria pesquisas qualitativas e quantitativas que garantem que os eleitores de Brasília querem — mais uma vez — mudança no governo. Querem um governo mais ousado e menos espetaculoso. Cobram mais equilíbrio e moderação.

Ibaneis Rocha, governador do Distrito Federal: estaria começando a dizer — “não me deixem só”| Foto: Divulgação

O que Bolsonaro teme? Na versão de aliados, o presidente estaria receando, se apoiar a reeleição de Ibaneis Rocha, entrar numa canoa furada.

Bolsonaro tem alternativa na capital do país? O que se sabe é que tem pesquisas sobre o ministro Tarcísio de Freitas em São Paulo (seria “desconhecido”, mas com potencial), o ex-ministro Eduardo Pazuello no Rio de Janeiro, o deputado Major Vitor Hugo em Goiás e a ministra Damares Alves no Distrito Federal.

Damares Alves tem dito a amigos e aliados que não se empolga com disputas eleitorais, mas que fará aquilo que for determinado pelo presidente da República — que, além de seu amigo, é uma espécie de “guia”.

Izalci Lucas, senador: luta para abrir a caixa-preta do governo de Ibaneis Rocha, a partir da Secretaria de Saúde | Foto: Senado

As pesquisas que Bolsonaro tem em mãos indicam que há um fato novo na política de Brasília: a ministra da Secretaria de Governo, a deputada federal Flávia Arruda (PL), aparece com alto potencial eleitoral e, entre os políticos, com ampla expectativa de poder.

A tropa de choque de Ibaneis Rocha, ao saber que o presidente pode bancar Flávia Arruda para governadora do Distrito Federal — com o apoio do Progressistas e do PL —, espalhou notas em jornais e blogs de Brasília postulando que a ministra-deputada fará parte de sua chapa, como vice ou candidata a senadora.

De fato, Flávia Arruda pode ser candidata a senadora e até a vice de Ibaneis Rocha. Mas a ministra e seu marido, José Roberto Arruda — uma das maiores raposas políticas de Brasília —, vão mesmo embarcar na canoa do governador? Canoa que começa a fazer água.

Leila do Vôlei: imagem positiva em Brasília | Foto: Reprodução

O secretário da Saúde do governo de Ibaneis Rocha foi preso e o escândalo vai respingar no governador. Porque eles eram bem próximos. Se for ouvido pela CPI da Covid-472 mil, o ex-secretário pode abrir as baterias contra figuras centrais da gestão do governador. O senador Izalci Lucas está acompanhando de perto a crise e trabalha para abrir uma possível caixa-preta da gestão do emedebista.

Izalci Lucas, do PSDB, trabalha para fixar a imagem que, dos pré-candidatos, é o que está combatendo possível corrupção no governo de Ibaneis Rocha (a rigor, não há provas do envolvimento direto do governador no escândalo). Ele pretende disputar o governo em 2022.

A senadora Leila do Vôlei, do PSB, também planeja disputar o governo, com a bandeira da moralidade.

A situação de Ibaneis Rocha não é das melhores. Pode ser que chegue o dia em que todos — inclusive Flávia Arruda e Bolsonaro — corram dele. Mas as notas de jornais, plantadas, sustentam que o gestor errático tem chance de se reeleger. “Quem acredita que Ibaneis será reeleito também, certamente, acredita em mula sem cabeça e Curupira”, afirma um deputado ligado a Bolsonaro.

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