Henrique Meirelles é cotado para ministro da Economia de Bolsonaro

A ressalva é que o engenheiro goiano prefere disputar mandato de senador a dirigir o ministério só por um ano e dois meses

O ministro da Economia, Paulo “Tabajara” Guedes, continua no governo do presidente Jair Bolsonaro. Porém, ao perder autoridade, se tornou uma espécie de morto-vivo — mais morto do que vivo.

Políticos como o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP), e o ministro e senador licenciado Ciro Nogueira (PP) são menos dotados intelectualmente do que Paulo Guedes, mas ganham do ministro, com ampla vantagem, em inteligência estratégica. Primeiro, comeram o fígado do economista. Agora, planejam comer seus rins, o coração e o cérebro. Quando o chicago-old perceber o que está acontecendo, se perceber, descobrirá que, do planalto, estará na planície. Terá menos poder do que a rainha da Inglaterra — que pelo menos mantém o glamour.

O Centrão quer bancar o novo ministro da Economia, que pode ser o indefectível Rogério Marinho — o suposto patrono do Tratoraço (3 bilhões de reais, fora do orçamento oficial, para deputados e senadores comprarem tratores e outras máquinas para suas bases políticas — com preços superfaturados) — ou outro, desde que saiba somar e multiplicar. Não precisa saber subtrair.

Jair Bolsonaro e Henrique Meirelles | Foto: Paulo Whitaker/Reuters

Para governar, se é que governa, Bolsonaro entregou parte significativa de sua gestão para o Centrão. Mas, se passou as esmeraldas, não planeja entregar o ouro e os diamantes — a Economia e a Infraestrutura (Tarcísio de Freitas, com apoio militar e de Bolsonaro, é visto como intocável. Por isso o Centrão não tenta comer o seu fígado).

Consta que Bolsonaro ouviu do ex-presidente Michel Temer um conselho: a Economia deve ser entregue a um técnico, com visão política, da estirpe do engenheiro Henrique Meirelles (PSD), secretário da Fazenda e do Planejamento do governo de São Paulo. O Estado dirigido por João Doria (PSDB) cresce muito mais do que o Brasil. O responsável pelo sucesso paulista é, exatamente, Meirelles, na visão de Temer e do mercado.

Bolsonaro teria ouvido o conselho de Temer com interesse, mas, leal a Paulo Guedes, não teve, até agora, coragem de defenestrá-lo. O presidente garante que apoia o ministro, que se alegra com o apoio, mas sem perceber que o chefe do Executivo não faz nada para segurar o ataque sistemático às suas ações. O chicago-old comporta-se como nefelibata.

Temer teria dito a Bolsonaro que, ao assumir a Presidência da República, o Brasil caminhava para o caos, dadas algumas medidas equivocadas da ex-presidente Dilma Rousseff e de seu ministro da Fazenda, Guido Mantega. Meirelles, nomeado para o Ministério da Fazenda, estabilizou o governo em pouco tempo e a economia começou a se recuperar. O ex-presidente acredita que poderia fazer o mesmo. Bolsonaro ainda tem um ano e dois anos de governo. Parece pouco, mas, na verdade, é muito tempo. A recuperação política de Bolsonaro só acontecerá, na visão de Temer e de outros políticos, com a recuperação econômica. Paulo Guedes, tudo indica, não tem condições mais de ajustar o país, porque perdeu força. Aceitou o furo do teto de gastos, não porque tem lógica econômica, e sim porque foi atropelado politicamente. A lógica econômica — proposta pelo mercado — foi atropelada pela lógica política (a reeleição de Bolsonaro e a gula incontrolável do Centrão). Meirelles criaria uma nova expectativa para o governo.

A ressalva é que Meirelles quer mesmo disputar mandato de senador por Goiás, não quer ser ministro de um governo que começa a ficar com a imagem de moribundo. Não é à toa que Lula da Silva já está falando em equipe ministerial e em formatar uma nova base parlamentar para além do PT.

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