Gustavo Mendanha pode disputar o governo de Goiás pelo Podemos

Mesmo falando que a prioridade é o apoio a Daniel Vilela para o governo, o prefeito de Aparecida trabalha para consolidar seu nome

O prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha (MDB), articula em dois fronts.

De um lado, tenta ficar próximo de Daniel Vilela, com o objetivo de tentar conquistar o seu apoio para disputar o governo de Goiás (estaria dizendo que Aparecida ficou “pequena” para ele e que não tem a mínima vontade de continuar como prefeito). Porque sem o MDB, sobretudo se o partido apoiar a reeleição do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, do partido Democratas, não tem a mínima chance de deslanchar, na avaliação de experts em política do Estado.

André Luis Rosa, secretário da Fazenda; Fábio Passaglia, secretário de Governo e Casa Civil; Renata Abreu, presidente nacional do Podemos; e Gustavo Mendanha, prefeito de Aparecida de Goiânia — em São Paulo | Foto: Divulgação

Do outro, Mendanha articula fora do MDB, com certa desenvoltura. De acordo com um emedebista, o prefeito sondou líderes de pelo menos quatro partidos sobre uma possível filiação. Republicanos, Patriota (que tem pré-candidato, Jânio Darrot), PSD e Podemos foram sondados pelo prefeito ou por aliados do prefeito. Líderes dos partidos, depois das conversas, concluíram que o jovem político está cada vez mais enfático sobre disputar o governo de Goiás, independentemente do apoio de Daniel Vilela. Aliás, um emedebista disse ter ouvido de um poderoso aliado de Mendanha o seguinte: “Daniel hoje atrapalha Gustavo. Porque, embora seja presidente do MDB, não tem a força do Gustavo. A base do partido hoje está mais com o prefeito do que com o ex-deputado”. A ordem é “atropelar” Daniel, mas tentando evitar um rompimento. O projeto do prefeito não é Daniel Vilela, frise-se.

Recentemente, Mendanha esteve em São Paulo para uma conversa com a presidente nacional do Podemos, Renata Abreu. Ele teria sido direto na conversa com a deputada federal. Disse que planeja disputar o governo e que talvez precise se filiar ao Podemos.

Na conversa com Renata Abreu, que apreciou o jovem político, Mendanha teria dito que, além de sua filiação, poderá levar para o Podemos os deputados federais Célio Silveira (hoje no PSDB, mas de saída — conversando com MDB e Democratas) e Professor Alcides Ribeiro (hoje no partido Progressistas, mas de saída). Na conversa, fez uma ressalva, sugerindo que se considera “irmão” de Daniel Vilela, mas que, ao contrário do presidente do MDB, não quer composição com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, do partido Democratas. Ficou acertado que as conversas vão continuar. Dois líderes do Podemos em Goiás, Felipe Cortês e Eduardo Machado, apoiam a postulação de Mendanha. Numa conversa particular com um aliado do prefeito, o deputado federal José Nelto, presidente do Podemos em Goiás (mas de saída, talvez para o DEM ou para o PSL), teria sugerido disputar mandato em sua chapa, como candidato a vice ou a senador. “Não dá para confiar no Zé Nelto, que fala uma coisa de manhã, outra à tarde e outra bem diferente à noite”, diz o gustavista.

O PSDB de Marconi Perillo está de braços abertos para acolher Mendanha como seu candidato. Mas o prefeito teme que a aproximação direta prejudique sua imagem. Mesmo assim, ele e o tucano são interlocutores frequentes. Mas o político que mais exerce influência sobre Mendanha é mesmo o ex-deputado federal Sandro Mabel, que planeja usá-lo para retornar à política.

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