Nilson Gomes

Especial para o Jornal Opção

Quem não chegou de Marte ontem nem de São Paulo direto para as eleições se lembra bem do sofrimento da economista Cristiane Schmidt. Recebeu paulada a torto e a direito, dos tortos e dos direitos, da esquerda e da direita. Os agressores não eram da gente simples do povo, mas sugadores acostumados a tratar a Secretaria da Fazenda como um úbere inesgotável. Não choravam sobre o leite derramado – sorriam para a mamata. A dificuldade dos políticos atrasados começava na pronúncia do sobrenome, descambava para o machismo e finalizava com uma frase-padrão dos idiotas: “Ela não é daqui”. Daqui de onde, seu cara lambida? Quatro anos depois, até o mais capiau dos imbecis é obrigado a concordar: o que seria de nós sem ela? O que seria de Goiás sem as mulheres ocupantes de altas funções na máquina administrativa estadual: Gracinha Caiado na redução das desigualdades sociais, Cristiane na recuperação econômica, Fátima Gavioli na ascensão do conhecimento, Andrea Vulcanis na proteção ao meio ambiente, Juliana Prudente na retenção dos absurdos jurídicos.

Cristiane Schmidt: secretaria da Economia de Goiás | Foto: Divulgação

Todas levavam bordoadas, nenhuma apanhou mais que Cristiane. Criticava-se a moça do Leblon sem conhecer a história da moça nem do Leblon. Ah, mas ela não sabe nem onde fica Montividiu do Norte. Nunca ouviu falar do vereador Bedeco, do deputado Sicrano, do prefeito Beltrano, do empresário Tirano, do jornalista Colocano. Ainda bem que o governador Ronaldo Caiado ignorou os ignorantes e adotou o cosmopolitismo. Mudou o nome da secretaria (de Fazenda para Economia), mas manteve a secretária. Aliás, as secretárias, a chefe da Procuradoria, a coordenadora de Políticas Sociais. Os machistas uivaram tanto na beira do Turvo que ficou Claro. Em vão. Caiado asfixiou o preconceito até não sobrar mais nem beiço nos carrapatos do ontonte.

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Fátima Gavioli: secretária da Educação | Foto: Lívia Barbosa/Jornal Opção

Além de Cristiane, Gracinha, Andrea, Fátima e Juliana, há centenas de outras colaborando com a reconstrução de Goiás nas mais diversas áreas. Uma rápida leitura no Cadastro de Autoridades revela uma súcia de homens adesistas e também a excelente notícia de mulheres ocupando funções estratégicas em secretarias, agências, empresas públicas, sociedades de economia mista. Olha-se de novo, nome a nome, cargo a cargo. É, são elas as estrelas que mais brilham, sem elas estaríamos no mato sem repelente. Os bons exemplos contaminam e chegam àquelas cujas identificações ficam insculpidas nos cadastros de benefícios, não de autoridades. E há as que nada têm de cargo nem de benesses e fazem questão de lutar em defesa do que está indo bem. É o caso de Ana Paula Vieira Machado, a mais dedicada integrante das mídias sociais do governo. Com diferenciais maravilhosos: é voluntária, não está pendurada na folha de pagamento, não esfaqueia a Secretaria de Comunicação, não se esconde em partidecos para reivindicar de migalhas a milhões. Ana Paula é conhecida nas mídias sociais por postar dia e noite, todo dia, toda noite, divulgando obras e serviços do governo. Parece ter dúzias de mãos, pois está em centenas de grupos e interage em cada um.

Juliana Prudente: procuradora do Estado | Foto: Divulgação

Graças a mulheres com o desiderato de Ana Paula, sabe-se que, em janeiro de 2019, Goiás devia R$ 6 bilhões para fornecedores, pra ontem, pra já, imediatamente, ou paga ou morre. O caixa não tinha nem para os salários do recente dezembro, os municípios estavam havia mais de ano sem receber repasses de merenda e transporte escolares, mais de mil colégios caindo aos pedaços, devendo 13 meses de Bolsa Universitária, 7 mil quilômetros de rodovias transformados em buracos, 100% dos programas sociais paralisados, UTIs em somente três dos 246 municípios, Hospital Materno-Infantil às vésperas da interdição, recordes de violência, traficantes mandando, gatunos mamando e miando, R$ 60 bilhões de reais em investimentos privados aguardando laudos ambientais por até década, nenhuma linha de financiamento com dinheiro para microempreendedores, o Daia travado e entrevado, não tinha energia elétrica para atrair nem fábrica de vassoura-de-bruxa, perdendo demanda judicial do lado do vento podre.

Andrea Vulcanis, secretária de Meia Ambiente | Foto Fernando Leite/Jornal Opção

Entraram em cena as vítimas das pedradas. E se sobressaíram de tal maneira que seu líder disputou a reeleição sem adversário competitivo e quem o enfrentou já saía de casa com o desenho de um pé grudado nos glúteos. Não tinha para ninguém. As mulheres cuidaram de tudo, de suas missões e dos afazeres dos homens.

O que foi fundamental para o êxito na segurança? O conjunto de ações sociais comandado por Gracinha, as melhorias na Educação pilotadas por Fátima, as verbas advindas do equilíbrio econômico conquistado pela inteligência de Cristiane.

Ana Paula Vieira Machado: a mais dedicada integrante das mídias sociais do governo | Foto: Divulgação

O que tem sido vital para Goiás obter superávit econômico e, pela primeira vez, entrar num exercício (2023) empatando receita e despesa? Andrea agir com honestidade e rapidez na análise da papelada das empresas, Juliana impedir a derrocada nos processos, Cristiane se mostrar acima de Paulo Guedes no manejo dos fundamentos que unem o progresso econômico ao ESG – meio ambiente (Andrea), social (Gracinha) e governança (Ronaldo).

Eis um resumo do primeiro mandato de Ronaldo Caiado. Ainda não saiu a definição da maioria de componentes do segundo. A continuidade da reconstrução de Goiás agradeceria se todas as presentes neste texto estiverem no governo do futuro.

Nilson Gomes é advogado, escritor e jornalista.