Governo joga a toalha e Lissauer pode ser o novo presidente com votação unânime

Deputado do PSB recebeu, na noite de quarta, proposta para abrigar Álvaro Guimarães no cargo de vice-presidente e a apresentou a grupo que já tem mais de 30 votos

Vinicius Cerqueira, Wildes Cambão, Alysson Lima, Tião Caroço, Thiago Albernaz, Talles Barreto, Henrique Arantes e Iso Moreira são alguns dos deputados que manifestaram apoio a Lissauer | Fotos: Jornal Opção / Divulgação

O deputado estadual Lissauer Vieira (PSB) vai vencer a eleição à Mesa Diretora da Assembleia Legislativa, marcada para esta sexta-feira, 1º. A dúvida agora é saber quantos votos ele terá. O governo, que passou a quarta-feira articulando uma alternativa, acabou jogando a toalha, no início da noite. Pediu para entrar na chapa de Lissauer na vaga de vice-presidente. A proposta dificilmente será aceita.

Até a tarde, mais de uma dezena de deputados foram ouvidos pela reportagem, alguns deles representando bancadas ou parte substancial delas, e a opinião era uma só: Lissauer já tinha naquela altura pelo menos 28 votos (sete a mais do que necessário para se sagrar presidente), podendo chegar a 33.

Se confirmadas essas projeções, seria uma derrota duríssima para o Palácio das Esmeraldas, que articulou, desde o final de 2018, pela eleição do deputado Álvaro Guimarães (DEM). Decano na assembleia, Álvaro é muito bem visto pelos colegas, considerado cordato e articulador. Caminhava para uma vitória folgada, mas acabou naufragando.

A primeira dissidência surgiu no próprio DEM, com a pré-candidatura do deputado Dr. Antônio. Ele afirmava ter o apoio de outros quatro deputados – Iso Moreira (DEM), Major Araújo (PRP), Lêda Borges (PSDB) e um quarto parlamentar que ele nunca identificou.

Na época (meados de dezembro), Dr. Antônio criticou Álvaro por ter se preocupado quase exclusivamente com os veteranos da Casa e se esquecido dos novos nomes que estão estreando no Legislativo Estadual.

Álvaro e o palácio consideraram esse movimento um blefe. Assim, com a vitória então praticamente consolidada, parece que as portas para conversações foram fechadas. O que desagradou quase todos os parlamentares.

Há cerca de três semanas, esse descontentamento mobilizou intensas reuniões entre deputados. Quatro nomes passaram a circular como opções para esses “dissidentes”: além do próprio Lissauer, falava-se em Humberto Aidar (MDB), Claudio Meirelles (PTC) e Iso Moreira.

A reclamação dos descontentes era praticamente a mesma: falta de diálogo mais direto e franco entre o candidato Álvaro Guimarães e os deputados, mas principalmente criticavam a forma com que a chapa, então favoritíssima, fora escolhida – “de cima para baixo” e supostamente subserviente ao palácio.

As conversas evoluíram e a articulação em torno de Lissauer foi a que mais se solidificou, reunindo 28 deputados no início desta semana, que é a reta final para a eleição da Mesa. Diante desse quadro, Iso Moreira e Dr. Antônio, dois aliados do governador Ronaldo Caiado, levaram Lissauer ao palácio, na terça-feira à noite, para tentar uma composição.

A recepção não foi a esperada. Já era próximo de meia-noite quando Caiado deixou claro que iria para o enfrentamento. Conforme os deputados, o clima da reunião não foi dos melhores, mas serviu para selar o destino de Álvaro.

Já na manhã de quarta-feira, a articulação do governo colocou na praça a ideia de substituir Álvaro por Henrique Cesar (PSC), deputado mais votado na última eleição e ligado à Assembleia de Deus.

O movimento rapidamente foi entendido como outro equívoco na articulação. Segundo um deputado, refluir no nome de Álvaro tirou mais dois votos da chapa apoiada pelo governo. Na tarde desta quarta-feira, mais de uma dezena de deputados ouvidos pelo Jornal Opção declararam apoio a Lissauer – entre eles, Virmondes Cruvinel, Diego Sorgatto, Major Araújo, Henrique Arantes, Vinícius Cerqueira, Wildes Cambão, Alysson Lima, Talles Barreto, Tião Caroço e Thiago Albernaz.

No início da noite, como o plano B do governo não emplacou, decidiram jogar a toalha e pediram uma reunião de emergência com Lissauer. A ideia agora é colocar Álvaro Guimarães como vice-presidente.

Lissauer pediu um prazo para conversar com todo o grupo sobre a primeira proposta de composição apresentada pelo governo. O resultado sai a qualquer momento. Dificilmente será aceita.

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