Goianira é caso para Vilmar Rocha, da política, e Lauro Machado, do Ministério Público

Os municípios brasileiros estão lambendo embira, sem dinheiro para nada. Uma exceção é Goianira, na Grande Goiânia.

Ali circula, desde o final de 2015, um jornal, ou simulacro de jornal, com logotipo imitando a “Folha de S. Paulo”. É um semanário, sob formato tabloide, com quatro páginas e uma pauta única em todas as edições: ofender a honra de Carlos Alberto Andrade, o Carlão, ex-prefeito e favorito a voltar ao cargo. Acaba, por sinal, por fazer propaganda do político. Por que bate tanto? Tudo indica que é, politicamente, temido.

Se imita a “Folha de S. Paulo” na logomarca, o hebdomadário goianirense copiou “O Popular” e lançou uma revista. Aliás, é mais ousada que a “Ludovica”, do Grupo Jaime Câmara. A publicação, 100% em cores e luxuosa, tem 48 páginas, todas com fotos de obras autoproclamadas como do prefeito Miller Assis, o Miller do Edão. Quando sai desse tema, o assunto da revista é falar mal de Carlão. É tanto ódio que um psicanalista diria: “É amor disfarçado”.

Nesses tempos de crise, os periódicos a serviço de Miller têm duas fontes de receita, ambas com dinheiro público. Está no expediente da revista que aquele luxo é quitado com o fundo partidário do Diretório Regional do PSD, presidido por Vilmar Rocha. O secretário Vilmar Rocha, um homem honesto e gestor sério, estaria pagando a “Ludovica” goianirense com verbas oficiais. O jornal não disfarça: tem anúncio da própria prefeitura. Ressalve-se: Miller Assis, expurgado do PP, é cristão-novo no PSD — e não dos mais queridos.

Como se sabe que uma pessoa correta como o secretário Vilmar Rocha não está tirando dinheiro do partido para bancar campanha de difamação contra ninguém, resta sugerir ao procurador-geral de Justiça, Lauro Machado Nogueira, uma investigação sobre esses recursos. Estaria ocorrendo em outros municípios esse uso político de verbas municipais travestidas de partidárias para editar publicações caluniosas contra adversários de prefeitos?

O Ministério Público também vai se lembrar, certamente, que a Constituição proíbe a autopromoção. Por esse mandamento constitucional, a revista e o jornal têm fotos de Miller e, portanto, não poderiam usar dinheiro de partido nem de prefeitura, pois ambos são recursos públicos.

Nada que o secretário Vilmar e o procurador Lauro Machado não possam estancar de vez com uma reprimenda ao infrator.

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