Goianésia tem a eleição mais polarizada de Goiás deste ano

A disputa entre Pedro Gonçalves, do MDB, e Leozão Menezes, do Democratas, é uma das mais acirradas da história do município

A verdadeira guerra eleitoral deste ano não está sendo travada em Goiânia, e sim em Goianésia, no Vale do São Patrício. O resultado da disputa de lá é, no momento, imprevisível. A vitória de um ou do outro lado será, certamente, por um beicinho de pulga.

Leozão Menezes: candidato a prefeito pelo Democratas | Foto: Divulgação

O MDB e o PSDB montaram uma chapa consistente para prefeito, com Pedro Gonçalves (MDB), e para vice-prefeito, com o delegado Marco Antônio Maia (PSDB). Além de candidatos consistentes a vereador. Só faltava correr para a torcida e receber os aplausos.

Entretanto, quando se trata de Goianésia, não é assim que ocorre. As eleições do município são polarizadas. A deste ano promete ser uma das mais polarizadas da história da cidade. Teme-se, inclusive, uma onda de violência. É provável que, no dia da eleição, tenha de ser convocada a Polícia Militar — ou até a Polícia Federal — para conter os mais exaltados.

Barrado no baile do MDB, o prefeito Renato de Castro não conseguiu ser candidato à reeleição. Por isso decidiu bancar a candidatura do primo Leozão (Leonardo Silva Menezes), do partido Democratas, para prefeito.

Pedro Gonçalves, candidato a prefeito pelo MDB, e seu vice, Marco Antônio Maia, do PSDB | Foto: Reprodução

A rigor, Leozão não é político, e, individualmente, não tem força alguma. Mas há fatores que o favorecem.

Sentindo-se discriminado no MDB, por não ter conseguido ser candidato — liderava as pesquisas, com relativa folga —, Renato de Castro está construindo, com certa habilidade, o discurso do político que se tornou vítima de uma grande maquinação dos poderosos de Goianésia (vale ressaltar que seu pai, Fião de Castro, é um dos homens mais ricos do município). E adotou o discurso de ser “histórico” no MDB, quando, na verdade, é um cristão-novo.

Mas o fato é que Renato de Castro tem força política e é popular. Dado um discurso azeitado, vitimizado, o prefeito está conseguindo “transferir” apoio para Leozão, que, finalmente, se tornou um candidato consistente. Afinal, em Goianésia, “Leozão é Renatão” — quase uma dupla sertaneja.

Dado o clima polarizado, uma espécie de Fla X Flu (o dos bons tempos), não dá para apontar um dos postulantes — Pedro Gonçalves e Leozão — como favoritíssimo. Qualquer um deles tem condições de ser eleito.

Percebe-se que o grupo que apoia Pedro Gonçalves não está conseguindo descontruir o discurso “vitimista” de Leozão-Renatão. Pode ser a grande pedra no seu caminho.

Detalhe: com a polarização, os demais candidatos parecem que não estão sendo avaliados pelos eleitores. Carlos do Itapuã, do PT, Emerson Autovip, do Progressistas, e Toquinho (Jordeni Assis da Silva), do PC do B, se esforçam, colocam seus blocos nas ruas e expõem seus projetos. Mas tudo indica que os eleitores estão concentrados na guerra fria — há risco de se tornar quente, atômica — entre Pedro Gonçalves e Leozão Menezes. É uma pena, porque a eleição ficaria mais rica se os eleitores avaliassem todos os postulantes.

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