Fundos financeiros internacionais apostam, apesar da crise, na pujança da economia do Brasil

Fundos do Canadá e da China, investidores de longo prazo, avaliam que, do ponto de vista estrutural, o mercado brasileiro é sólido

Greice Guerra Fernandes

Especial para o Jornal Opção

Além do cenário político instável, o Brasil enfrenta uma de suas maiores crises econômico-financeiras — recessão, desemprego, incertezas e conflitos nas instituições, retração do PIB, endividamento da população e insegurança generalizada —, mas, mesmo assim, muitos investidores e agentes econômicos internacionais acreditam e investem no Brasil. O quadro negativo não inviabiliza seus investimentos e expansão dos projetos financeiros.

O fato de agências mundiais classificatórias de risco terem rebaixado o “Investment Grade” do Brasil — sugerindo baixa capacidade de honrar dívidas interna e externa — não assusta os investidores estrangeiros, principalmente os “agigantados” e “opulentos” fundos de investimentos que operam nos mercados globais.

A Canadian Pension Plan Investment Board (CPPIB), nono maior fundo de pensão canadense mundial — que atua no Brasil desde 2009 e na América Latina —, é um exemplo de investidor poderoso que não se abate devido à crise do país. Na verdade, o fundo vai ampliar seus investimentos no país. Com ativos globais na ordem de U$ 270 bilhões, a CPPIB planeja dobrar de 3% para 6% seu investimento na América Latina, o que inclui o Brasil.

Brasil: país do futuro, como dizia Stefan Zweig? Não, país do presente

Fundos internacionais como a CPPIB apostam na economia brasileira no longo prazo. Eles possuem a visão clara de que economias em formação e que ainda não atingiram a situação do “pleno emprego”, que é onde os recursos naturais e econômicos encontram-se alocados, são compostas de ciclos econômicos, ciclos formados por períodos de altas e baixas. Tais fundos atravessam essas alternâncias adquirindo ativos líquidos, moveis e imóveis, que no momento encontram-se com o preço abaixo de valor de mercado devido à crise econômico-financeira. Essa aquisição é efetivada por meio da compra de shopping centers, investimentos em construtoras, distribuição em ações e títulos de dívidas, fusões e parcerias, participações em empresas de capital fechado e investimento em infraestrutura e logística.

Todo esse processo gera empregos, renda, impostos, divisas, inibe a capacidade ociosa do capital, e, por consequência, movimenta e alavanca a economia.

Outro exemplo de fundo internacional que não demonstra receio a respeito da crise brasileira provém da China. A China se prepara para anunciar um fundo de U$ 20 bilhões em parceria com o Brasil, segundo o Ministério do Planejamento. O interesse dos chineses no Brasil descolou-se do cenário político porque os mesmos estão focados em garantir a logística de exportação de insumos do Brasil para a China, principalmente grãos (soja) e minério pelo norte do país, pelo porto de Itaqui-Maranhão.

Outra justificativa para criação deste fundo, apesar do momento de incerteza econômica, financeira e política, é que os chineses que já investem no Brasil no longo prazo, e encontram-se presentes no setor elétrico, transportes, logística e agricultura, não representam mais uma “atemorização” ao mercado.

Baseado em toda essa explanação, observa-se que, mesmo em crise, o Brasil é um país muito atrativo para os investidores e agentes econômicos internacionais. Mesmo sendo assolado por uma instabilidade econômica, é grande exportador de matéria-prima, grande receptor de capital estrangeiro, possui amplo e crescente mercado consumidor e extensa capacidade de crescimento econômico, o que, por sua vez, dinamiza, impulsiona e incentiva a economia, atraindo também, sempre com muita atenção, os principais centros de debates, tanto do meio econômico, quanto da geopolítica internacional.

Greice Guerra Fernandes é economista e analista de mercado.

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