Foto sugere que Léo Pinheiro e Lula fizeram inspeção em reforma do sítio de Atibaia

Os advogados do ex-presidente dizem que o ex-presidente da OAS quer “agradar os procuradores em troca do destravamento de sua delação” para “obter benefícios”

O ex-presidente Lula da Silva diz que não é proprietário de um sítio em Atibaia, no interior de São Paulo. Costuma dizer que não há uma escritura em seu nome. As investigações de Polícia Federal e Ministério Público Federal sugerem que os dois proprietários seriam “laranjas” do petista-chefe? É o que parece. A publicação de uma fotografia em que aparece Léo Pinheiro, ex-chefão da empreiteira OAS — que reformou o sítio, e obviamente não a pedido dos supostos laranjas (por que o faria?) —, sinaliza que o interesse do político que governou o Brasil por oito anos pela propriedade não era apenas a de um visitante ocasional, com o objetivo de divertir e descansar. Percebe-se que as quatro pessoas não estão curtindo o sítio, estão vestidas com roupas adequadas mais para cidades. Seria, possivelmente, uma visita de inspeção nas obras.

A fotografia consta no processo da Operação Lava-Jato que investiga Lula da Silva. A foto é apontada pelo Ministério Público Federal como uma prova a mais de que o sítio pertence ao ex-presidente e indica, mais uma vez, a forte ligação do petista com o ex-chefão da OAS. Léo Pinheiro pagava propina a políticos com o objetivo de conseguir obras na Petrobrás.

No depoimento a Sergio Moro, Lula admitiu reunião com Léo Pinheiro, para discutir obras na cozinha do sítio de Atibaia, mas garantiu ao juiz que o local do encontro teria sido em São Bernardo do Campo, em seu apartamento. Tanto pode ter sido uma mentira quanto um esquecimento? Talvez uma orientação errada dos advogados, que não sabiam sobre a foto do sítio. No dia do encontro, o arquiteto Paulo Gordilho, ex-diretor da OAS, também estaria presente.

“O Globo” frisa que “as obras no sítio de Atibaia não são investigadas no processo ao qual o documento foi anexado. Mas de acordo com investigações da força-tarefa da Lava-Jato, o sítio, que está no nome de dois sócios de Fábio Luís, um dos filhos de Lula, foi reformado pelas empreiteiras OAS e Odebrecht para o ex-presidente Lula, que seria o real proprietário do imóvel. Enquanto a Odebrecht fez a ampliação da área habitável da propriedade, com a construção de mais quatro suítes e uma adega, a OAS ficou responsável pela contenção do lago, que estava perdendo água e precisava de uma nova barragem. A empresa também instalou móveis planejados na cozinha do sítio, comprados da Kitchens, a mesma fornecedora dos móveis instalados no tríplex do Guarujá”.

Léo Pinheiro repassou à Justiça mensagens com Paulo Gordilho a respeito da reforma do sítio. Numa delas, Paulo Gordilho informa: “Léo, amanhã vou pra o nosso tema esvaziar o lago para impermeabilizar. Eles, eu soube que vão estar lá para acompanhar a despesca. Mas não tenho certeza. Se desejar podemos combinar”. A mensagem é de 6 de junho de 2014. O arquiteto é apontado como responsável pela reforma do sítio. “No dia seguinte (à mensagem), segundo dados do Portal da Transparência, seguranças da Presidência da República estiveram no sítio que teve reformas bancadas pela empreiteira”, relata “O Globo”.

Os advogados de Lula da Silva frisam não há provas de que Lula da Silva seja o proprietário do sítio. Os “documentos”, como a fotografia, nada provariam, “seja pelo conteúdo, seja pela discutível idoneidade”. Os defensores do ex-presidente afirmam: “Os papéis — mesmo sem qualquer relevância para a ação — fazem parte da tentativa de Leo Pinheiro de agradar os procuradores em troca do destravamento de sua delação, para que ele possa obter benefícios”.

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ADALBERTO DE QUEIROZ

Fica a lógica agredida quando as negativas de um ato se repetem “ad nauseam” para construir uma narrativa de um ato que não tenha ocorrido como o agente gostaria que fosse – às escondidas…Para a vã filosofia “absurdo” e “contra-senso” podem ser sinônimos quando se traduz do alemão (“unsinnig”), diferente de ‘unsinning´ou ohne Anklage” (sem pecado – sem culpa formada: ohne Anklage) – que é bem o caso do indigitado ex-presidente.

Sergio Eustaquio Pereira

Besteira total? Quer dizer que, se alguém visitar o palácio do planalto pode ser considerado dono. Delatores poderiam ser facilmente encontrados. Logo, teríamos um culpado por algumas licitações ilícitas para reformas do notório imóvel.