Formação das chapas pra deputado federal pode reduzir crise resultante da escolha da chapa majoritária

Poucos partidos conseguirão eleger deputados federais em 2022. O governador Ronaldo Caiado terá peso decisivo na formatação das chapas

A extinção das coligações partidárias pode provocar uma “hecatombe” na política de Goiás. Políticos consagrados, como Magda Mofatto e Lucas Vergílio — se permanecerem nos seus partidos —, podem ficar sem mandato em 2022.

A tendência é que apenas dez partidos consigam eleger deputados em Goiás na disputa do próximo ano: União Brasil (o resultado da fusão entre DEM e PSL), PSD, Progressistas, Republicanos, PL, PT, PSDB, MDB, PP e PDT (e talvez a DC).

É possível que, dos dez partidos, no final, apenas cinco ou seis elejam deputados federais. Porque, sem as coligações partidárias, as legendas mais fortes tendem a ser dominantes. Veja-se o caso do PL. O partido tem uma deputada consistente e atuante, a bem-sucedida empresária Magda Mofatto, mas, se não conquistar mais candidatos com alguma estrutura nos municípios, terá dificuldade para se eleger (talvez por isto ela queira ser vice de Gustavo Mendanha). O mesmo ocorre com Lucas Vergílio, do partido Solidariedade. O Republicanos terá de fazer um esforço ingente para eleger o pastor Jefferson Rodrigues. O PDT tem uma candidata forte, Flávia Morais, sempre bem votada, mas corre risco de, se não lançar mais candidatos com votação média, ficar sem mandato.

Governador Ronaldo Caiado, com a primeira-dama, Gracinha Caiado | Foto: Cristiano Borges e Wesley Costa

Este fato pode levar a uma reconfiguração política em Goiás. No momento, os partidos jogam pesado para instalar um membro nas chapas majoritárias. Há pelo menos sete políticos querendo disputar mandato de senador ao lado do governador Ronaldo Caiado (DEM): Alexandre Baldy (PP), Delegado Waldir Soares (PSL), Henrique Meirelles (PSD), João Campos (Republicanos), Luiz Carlos do Carmo (MDB), Wilder Morais (PSC) e Zacharias Calil (DEM).

Obviamente, apenas um será escolhido, talvez com base em pesquisas quantitativas e qualitativas. O postulante já está escolhido? Não. O mais provável é que a definição fique para 2022.

O vice já está escolhido: será o presidente do MDB, ex-deputado federal Daniel Vilela.

A definição do candidato certamente provocará uma crise entre os partidos que vão se considerar “vencidos” (sem disputar eleição). Não se sabe exatamente qual será sua dimensão.

Para reduzir o impacto da crise, há um caminho: o governador Ronaldo Caiado pode contribuir para fortalecer as candidaturas dos partidos a deputado federal. O MDB, por exemplo, poderá ter na chapa os deputados federais Célio Silveira, José Nelto e Lucas Vergílio e os empresários Márcio Corrêa (de Anápolis) e Renato Câmara (de Rio Verde). Dois deles estão definidos que disputarão pelo emedebismo: Márcio Corrêa e Renato Câmara. Os outros três tanto podem disputar pelo MDB quanto por outros partidos da base aliada. O deputado estadual Lissauer Vieira pode ser candidato pelo Progressistas? Pode. Porém, dependendo da posição do PP em relação ao pleito estadual, há a possibilidade de ele disputar pelo Democratas, o partido de Ronaldo Caiado e do prefeito de Rio Verde, Paulo do Vale, que apoiam a postulação do parlamentar, hoje filiado ao PSB.

O fato é que o governador Ronaldo Caiado terá papel decisivo na montagem das chapas para deputado federal. Seu papel nesta articulação vai fortalecer sua campanha de reeleição e, claro, as campanhas dos candidatos ao Parlamento.

Uma das maneiras de reduzir o impacto da crise da escolha da chapa majoritária é a formatação das chapas para deputado federal. Por sinal, pouca gente comenta, mas os líderes dos partidos têm mais interesse em eleger deputados federais do que senadores. Motivos: é pelo número deputados federais que se define os valores do Fundo Eleitoral, do Fundo Partidário e o tempo de televisão.

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