Há algumas questões a apontar sobre recentes acontecimentos no Brasil.

Primeiro, as Forças Armadas provaram que são democráticas e não aceitaram convites do bolsonarismo, que está rebelado nas ruas, para um golpe de Estado. Elas deram uma lição de democracia aos golpistas-vivandeiras.

Segundo, apesar dos arroubos golpistas da família Bolsonaro e do bolsonarismo, o presidente Jair Bolsonaro optou por não aderir ao golpismo das ruas. O que, sem dúvida, foi muito importante. O presidente demonstrou coragem, contrariando seus seguidores, ao permanecer no campo da democracia.

O cientista político Steven Levitsky, professor da Harvard, concedeu excelente entrevista à GloboNews. Ele ressaltou um aspecto pouco realçado pela ciência política e pelo jornalismo brasileiros: a direita se comportou dignamente e sequer discutiu a possibilidade de golpe. Pelo contrário, houve uma aceitação imediata da vitória de Lula da Silva para presidente, tanto que, mesmo antes da posse, o petista-chefe já está praticamente governando e se relacionando bem com o Legislativo e o Judiciário.

Daniel Ziblatt e Steve Levitsky são autores do livro “Como as Democracias Morrem” (Zahar, 272 páginas, tradução de Renato Aguiar e prefácio de Jairo Nicolau). O livro é um best-seller internacional. Sua leitura é fundamental para o entendimento do que está o ocorrendo em todo o mundo, inclusive na Europa e nos Estados Unidos.