Felisberto Tavares diz que idosos estão abandonados e que índice de suicídios entre eles é alto

O pré-candidato do Podemos afirma que despoluir o Rio Meia Ponte e tratar dos resíduos sólidos são missões do próximo prefeito de Goiânia

Aos 49 anos, o vereador Felisberto Tavares, pré-candidato a prefeito de Goiânia pelo Podemos, surpreende por ter conteúdo e escapar ao disse-me-disse da política. Formado em Geografia, estudou Física (não se formou) e faz mestrado na área de recursos hídricos do Cerrado.

A história de Felisberto Tavares não é a dos self-made man empresários. É a dos self-made man que derrotaram a pobreza e conseguiram sua inserção social às custas do conhecimento. Lutando para escapar da miséria, trabalhou pelo Pró-Jovem na Cohab. Trabalhou no Fujioka, onde diz ter aprendido com a disciplina e a capacidade de empreender da família que dirige a empresa. Em seguida, sempre estudando, foi aprovado num concurso da Caixego (a caixa econômica do governo de Goiás). “Fiquei lá até seu fechamento.” Aos 21 anos, morava na Casa do Estudante Universitário e se tornou concurseiro. Aprovado em vários concursos, como escrivão da Polícia Federal, bancário do Banco do Brasil e técnico do Tesouro Nacional, acabou optando pela Polícia Rodoviária Federal. Depois de 24 anos na PRF, está aposentado — porque começou a trabalhar bem cedo, muito antes do que a maioria começa.

Felisberto Tavares: pré-candidato a prefeito de Goiânia pelo Podemos | Foto:

Decidido a contribuir para melhorar a sociedade, Felisberto Tavares optou por se tornar político. “Fui eleito, na primeira disputa, pelo PT, mas não me submeti a nenhum prefeito. Não aceito cabresto de nenhuma espécie, inclusive os ideológicos.”

A questão dos idosos em Goiânia

O Jornal Opção pergunta: “Por que o sr. quer ser prefeito de Goiânia?” Felisberto Tavares diz que, depois de oito anos observando que há poucos avanços em determinadas áreas, avaliou que havia chegado a hora de apresentar seu projeto à sociedade. “O parlamentar cobra e pressiona, mas a decisão fica a cargo da prefeitura. O transporte coletivo, com uma gestão inteligente, pode ser melhorado.”

O idoso é uma das suas preocupações. “Sou geógrafo e posso atestar, baseado nos dados do IBGE, que os brasileiros estão envelhecendo. E o que ocorre em Goiânia, como em outras cidades? Os idosos estão abandonados. O índice de suicídios entre idosos é muito alto, mas quase não são publicadas notícias a respeito. Na periferia é muito comum, talvez por isso não seja um assunto tão conhecido, quer dizer, a periferia não é um assunto de destaque. Se eleito prefeito, terei uma política efetiva para os idosos. Estou de acordo que é preciso construir creches, que, na prática, são escolas para as crianças. Mas também é fundamental criar espaços para os idosos, que, repito, estão abandonados.”

Na Vila Nova, “onde há colégios fechados por falta de demanda, há vários idosos abandonados. Percebo que, nestes tempos de pandemia do novo coronavírus, eles não querem ficar isolados, e por isso estão saindo de casa. Sabe por quê? Simples: já vivem isolados, segregados”.

“Na questão do transporte coletivo e dos idosos, posso atestar, porque acompanho o assunto bem de perto, não houve avanços em Goiânia, nos últimos anos.”

Meio ambiente, Rio Meia Ponte e animais

Outro tema caro a Felisberto Tavares é o meio ambiente. Ele estuda o assunto a fundo, por isso está fazendo mestrado na área de Recursos Hídricos no Cerrado. “Não se pode falar que há uma política efetiva, para além dos belos discursos e do marketing, para preservar o Rio Meia Ponte. Nenhum afluente do Meia Ponte recebe proteção do setor público. Não são bem cuidados, aliás, não sem nem cuidados. A preocupação com o meio ambiente, em relação aos recursos hídricos, é zero. Fizeram a barragem do João Leite. Mas, daqui a alguns anos, a Grande Goiânia vai precisar de mais água potável. Os rios, ribeirões e córregos estão aí, mas não estão preservados. Estão ao deus-dará. O assunto entra na campanha eleitoral? Pelo menos na minha vai entrar e vou tentar fazer com que os candidatos o debatam.”

Felisberto Tavares: “O prefeito de Goiânia precisa cuidar do Rio Meia Ponte e dos córregos” | Foto: Facebook/ Felisberto Tavares

Quando a Estação de Tratamento de Esgoto de Goiânia foi inaugurada disseram que o Rio Meia Ponte seria despoluído. “Primeiro, precisa cessar a agressão tanto no rio quanto nos afluentes. Cessada a agressão, é possível que, em cinco anos, a natureza se recupera. Além de conter a agressão ao rio, de não se permitir que continue sendo depósito de lixo e excrementos, é preciso recompor a mata ciliar. É preciso retirar os resíduos sólidos, que não se degradam, e estão dentro do rio. É possível, repito, que, em cinco anos, o rio estaria limpo, como ocorre com o Rio de Ondas, em Barreiras, na Bahia.”

Felisberto Tavares assinala que há quatro anos vem tentando implementar o código de drenagem urbana — sem conseguir. “A prefeitura precisa trabalhar, de maneira efetiva, para avançar. O Rio Meia Ponte já está comprometido 150 quilômetros depois de Goiânia.”

A questão do tratamento dos resíduos sólidos de Goiânia preocupa Felisberto Tavares. “Com vontade política, além de conhecimento técnico, é possível dar o tratamento adequado aos resíduos sólidos da capital. Na verdade, tais resíduos significam uma riqueza hoje desperdiçada. Se trabalhados com inteligência, como na Suécia, são uma grande fonte de recursos. A economia solidária pode trabalhá-los e torná-los rentáveis tanto para o setor público quanto para a sociedade.”

Hoje, sublinha Felisberto Tavares, os resíduos, de vários tipos, contaminam o lençol freático. “Os dois lixões de Goiânia estão saturados. Eles geram um chorume, que precisa ser levado para a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), que depois joga no Rio Meia Ponte. O dinheiro do lixo tratado poderia ser investido na economia solidária. O falecido prefeito Paulo Garcia ignorou meu projeto, assim como o prefeito Iris Rezende.”

A relação entre humanos e animais melhorou muito, afirma Felisberto Tavares. “As pessoas estão cuidando melhor de seus cachorros e gatos, são considerados como parte da família, recebendo tratamento adequado. Mas nem todos que gostam de animais têm condições financeiras de, por exemplo, levá-los a um veterinário. Há também os animais que vivem nas ruas. Por isso estamos tentando implantar o Hospital Veterinário de Goiânia. A prefeitura está fazendo a reforma de um galpão, mas ainda não funciona. É preciso fazer o tratamento dos animais, de maneira correta, e também organizar a castração gratuita. O setor público precisa e pode avançar mais neste campo. Numa gestão minha, caso eu seja eleito, vou reorganizar todo o setor, e com o apoio da sociedade. Hoje, a despeito do poder público, há várias pessoas e organizações não-governamentais zelando pelos animais. É um belo e pouco divulgado trabalho.”

Saúde e mobilidade urbana

O SUS, postula Felisberto Tavares, é, de fato, um sistema que favorece o atendimento de todos, notadamente dos pobres. “Mas o atendimento básico de saúde, que o cidadão precisa de imediato, deixa a desejar. Médicos e enfermeiros sabem que centralizar a pediatria no Cais de Campinas dificulta o acesso das pessoas que moram nas periferias. Tudo fica mais difícil, a começar pela dificuldade com o transporte, a volta para casa tarde da noite, às vezes na madrugada. É preciso descentralizar o atendimento.”

Felisberto foi secretário de Trânsito da Prefeitura de Goiânia. “Nada foi feito para melhorar a mobilidade urbana, nem mesmo para mitigar os principais problemas. O dinheiro da fiscalização do trânsito tem de ser aplicado na área. O BRT talvez não seja o meio moderno e prático para melhorar o transporte na capital. Por que não pensar num trem como o de Brasília? Por que não ousar? O trânsito poderia ficar menos congestionado.”

Perguntado sobre o quadro político da capital, Felisberto Tavares diz que a tendência é que o MDB banque a candidatura de Maguito Vilela para prefeito, com Paulo Ortegal ou Agenor Mariano na vice. “Goiânia quer mudança, mas o eleitor ainda não identificou quais são os candidatos que, de fato, são agentes desta mudança. Porque há o mudancista que é mero produto de marketing e, que se eleito, não fará mudança alguma. Será mais do mesmo.”

Felisberto Tavares pode até não ser eleito, mas pode contribuir para qualificar o debate na capital. Entre seus apoiadores estão o deputado federal José Nelto, líder nacional do Podemos Eduardo Machado e o presidente metropolitano do Podemos, Felipe Cortês. O senador Álvaro Dias e a presidente nacional do Podemos, Renata Abreu, pretendem dar suporte político para sua campanha. O vereador é tratado pela cúpula nacional como um político de ideias modernas e arejadas.

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