Fato relevante é que ninguém quer sair da base de Ronaldo Caiado

Os políticos não estão brigando para escapar da base governista. Eles estão em guerra para permanecer ao lado do governador de Goiás

Lissauer Vieira: deputado estadual | Foto: Divulgação

A imprensa deu as notícias de movimentações políticas da semana, como a possível filiação do presidente da Assembleia Legislativa de Goiás, Lissauer Vieira — um político de méritos —, ao partido Progressistas e um certo ruído entre o partido Republicanos e o governismo.

Comenta-se que Lissauer Vieira optou pelo PP por discordância com o fato de que o presidente do MDB, Daniel Vilela, está praticamente indicado para vice do governador Ronaldo Caiado na eleição de 2022. A discordância é fato, porém, como está “entranhado” na base do gestor estadual — seu principal apoiador no Sudoeste é o prefeito de Rio Verde, Paulo do Vale, do Democratas —, o deputado certamente apoiará a reeleição de Ronaldo Caiado.

Alexandre Baldy: guerra para ficar ao lado de Ronaldo Caiado | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

O Republicanos quer bancar o deputado federal João Campos para senador na chapa de Ronaldo Caiado. Porém, ao perceber que o meio-campo está congestionado, manifestou certa contrariedade.

O que a imprensa não registrou, deixando de ampliar a conexão dos fatos, é que, apesar das contrariedades, ninguém quer sair da base de Ronaldo Caiado. O que se quer é ficar na base, com a ampliação do espaço político. Praticamente todos os líderes, candidatos ou não, querem ficar ao lado do gestor estadual.

Por que ninguém quer sair da base de Ronaldo Caiado? Primeiro, porque não há uma alternativa real ao governador. Segundo, pesquisas qualitativas mostram que não há, no eleitorado, sentimento de mudança. Terceiro, as pesquisas mostram um franco favoritismo do líder do partido Democratas. Quer dizer, é imensa a possibilidade de Ronaldo Caiado ser reeleito para mais quatro anos de governo — e todos os políticos da base ou que estão se aproximando ou se reaproximando da base sabem disso.

João Campos: quer ser candidato na base de Ronaldo Caiado | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

O ex-ministro Alexandre Baldy (PP), o deputado federal João Campos (Republicanos) e o ex-ministro Henrique Meirelles (PSD) querem sair da base governista? Pelo contrário, todos querem disputar mandato de senador tendo como companheiro de chapa Ronaldo Caiado.

Entretanto, só há uma vaga para senador e o governador não é mágico para “inventar” um espaço que não existe. O ideal é que os partidos da base se reúnam, sugerindo um coordenador do processo — como a ex-senadora Lúcia Vânia, o que preservaria Ronaldo Caiado —, e, por intermédio de pesquisas quantitativas e qualitativas, definam o candidato a senador que vai figurar na chapa. Não é tarefa do governador pressionar os líderes para que aceitem um ou outro postulante a senador.

Reforma da equipe abre espaço político

O governo vai fazer uma reforma da equipe, entre dezembro de 2021 e abril de 2022, o que vai abrir espaço para as composições políticas. Há duas correntes. Uma afirma que, para algumas áreas, não haverá negociação política. A outra sugere que, com exceção da Secretaria da Fazenda e da Goinfra (porém, se Pedro Sales sair para disputar mandato de deputado federal, ela entrará na reforma), todos os cargos poderão ter novos integrantes a partir do próximo ano.

Henrique Meirelles: pré-candidato a senador | Foto: Reprodução

Há a possibilidade de Adib Elias indicar o presidente da Goinfra, com o objetivo de, ele mesmo, assumir o cargo, em janeiro de 2025, quando estará fora da Prefeitura de Catalão? Há. O que se diz, nos bastidores, é que, se Pedro Sales sair, o nome preferido é o de Adib Elias, e não de um técnico indicado por ele. Porque o gestor do Sudeste tem experiência administrativa e é apontado como um político “íntegro”.

É provável que um grupo político indique o próximo presidente do Detran. Seu atual dirigente, Marcos Roberto, não colocará nenhum obstáculo. Porque seu projeto político é, desde sempre, o de Ronaldo Caiado. Comenta-se, também, que o secretário da Saúde, Ismael Alexandrino, tende a disputar mandato de deputado federal — o que abrirá espaço para indicação política para o seu cargo. O Republicanos está de olho na Secretaria de Desenvolvimento Social.

Portanto, como não é possível agasalhar todo mundo na chapa majoritária — no momento, está em jogo tão-somente a vaga para senador —, uma saída é agasalhar políticos, ou seus indicados, no primeiro escalão do governo, a partir de dezembro de 2021 ou de abril de 2022, com a possibilidade de eles continuarem no próximo governo, em caso de reeleição. Daniel Vilela, como tende a ser o vice, até poderá fazer indicações para o governo, mas sabendo que “já ganhou” uma vaga cobiçadíssima.

O certo é que, daqui para frente, o governo de Ronaldo Caiado continuará com perfil técnico, na ação, mas também será mais político. É provável que o senador Vanderlan Cardoso, Adib Elias, Lissauer Vieira e, entre outros, João Campos estarão mais presentes — por meio de seus indicados. O que o governador não permitirá é que o governo se torne um balcão de negócios.

Há outra questão que será decisiva. Como as coligações partidárias não deverão ser aprovadas pelo Senado, alguns partidos terão dificuldades de montar chapas competitivas para deputado federal e deputado estadual. Ronaldo Caiado poderá contribuir com os líderes dos partidos na montagem de chapas — distribuindo aliados pelos partidos, não privilegiando tão-somente o partido Democratas.

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