Ex-governador cita legado econômico e diz defender candidatura de tucana, enquanto incentiva Gustavo Mendanha a ser o nome da oposição a governo

No caminhar para campanha eleitoral, muitas vezes tomam-se liberdades com a verdade. Chega a ser uma situação natural. Mas não merece aplausos. Estamos, agora, há menos de um ano do primeiro turno das próximas eleições. Em Goiás, como esperado, as forças opositoras gravitam o PSDB de Marconi Perillo. Com as decisões políticas se afunilando, é necessário que os tucanos afinem seus discursos, e logicamente isso estará ancorado nos governos passados, aos quais eles comandaram. 

Em uma entrevista recente, o ex-governador Marconi Perillo, já em tom de campanha, buscou defender legados de seu governo. Mas o discurso  não está conectado com a história recente que os goianos vivenciaram  ao fim da gestão tucana. 

Em uma de suas respostas, Marconi contesta que o tucano José Eliton tenha deixado o estado com déficit financeiro. O argumento usado foi de que decisões judiciais impediram o então governador de quitar a folha salarial dos servidores no último mês da gestão. 

O levantamento realizado pela Controladoria-Geral do Estado e pela Secretaria da Administração (Sead) mostrou que em 2019 a atual gestão assumiu o Estado, com receita de apenas R$ 370 milhões. O déficit estava na casa de R$ 6 bilhões. E ainda foi constatada inconsistência em contratos, cujo dano estimado é de R$ 30 milhões, e irregularidades em convênios. Os servidores vão se lembrar bem de que a folha precisou ser parcelada em até 8 meses. Foi decretado calamidade financeira. 

Marconi também alega que a classe empresarial perdeu a confiança e não estaria investindo no Estado. Uma afirmação descolada dos dados divulgados por fontes oficiais, sérias e respeitadas.  O número de empresas abertas entre janeiro e agosto de 2021 foi o maior desde 2017, segundo levantamento da Junta Comercial do Estado de Goiás (Juceg). Nos oito primeiros meses deste ano, foram registradas 23.270 novas empresas no Estado, o que corresponde a 6.721 CNPJs a mais na comparação ao mesmo período de 2020, que somaram, de janeiro a agosto, 16.549 novas empresas. 

Os empresários também se lembram claramente da da CPI dos Incentivos Fiscais, cujo relatório final, feito pelo deputado Humberto Aidar (MDB), destacou texto com mais de 500 páginas, apontando incentivos que refletiam em custo de chegavam a R$ 10 milhões por ano, sem a contrapartida acordada. O trabalho da comissão resultou também no novo incentivo fiscal: o Programa de Desenvolvimento Regional (ProGoiás), que já atraiu 144 indústrias. Desse total, 103 migraram de outros programas de benefícios fiscais e 41 aderiram pela primeira vez à nova lei que concede incentivo no Estado.

Mas voltando a falar de política. Marconi também exalta que o PSDB tem bons quadros para entrar na disputa pelo governo, embora evite citar qualquer um deles. Mas o prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha (sem partido),  parece mesmo ser o nome escolhido por ele para encabeçar o projeto de oposição ao grupo caiadista. O tucano inclusive aponta pesquisas que avaliam sua imagem e como sua rejeição pode impactar numa candidatura do ex-emedebista.