Trabalhadores rurais e policiais militares não podem ter o mesmo regime de outros trabalhadores, afirma o deputado tucano

Deputado federal Fábio Sousa | Foto: Zeca Ribeiro/ Agência Câmara

O deputado federal Fábio Sousa, do PSDB, afirma que a Reforma Trabalhista “precisa ser feita”. Porque, frisa, “a CLT, defasada ante a realidade do mercado, prejudica o país. As mudanças podem colaborar para destravar a economia, gerando mais empregos e contribuindo para a retomada do crescimento econômico. Hoje, o trabalhador fica muito caro para o empresário. O deputado Rogério Marinho, do PSDB do Rio Grande do Norte, foi uma grande escolha para relator da reforma. Ele é um liberal experimentado”.

Já a Reforma da Previdência é um tema mais complicado, na opinião de Fábio Sousa. “Há ideias que podem violentar a vida do trabalhador, ao não verificar algumas especificidades. A reforma é necessária, porque a Previdência está falida. A aposentadoria de um policial militar aos 60 anos, digamos, não é produtiva. Um policial de 60 anos terá condições de correr atrás, para prendê-lo, de um bandido de 20 anos? Claro que não”.

Na questão da idade mínima para se aposentar, Fábio Sousa acredita que haverá mudança. “O governo propõe um projeto sabendo que a realidade, representada pelo Congresso, vai mudá-lo durante os debates. Por que os militares das Forças Armadas foram excluídos do pacote da reforma, mas a Polícia Militar, a que confronta os criminosos nas ruas, não?”

Na opinião de Fábio Sousa, o trabalhador rural merece, sim, um regime especial. “A vida dele é muito mais pesada do que a vida do cidadão que trabalha na cidade, num gabinete, sem ficar ao sol inclemente. A Reforma da Previdência, da maneira que está disposta, é extremamente radical, sem conexão com a realidade.”

Quanto à Reforma Política, Fábio Sousa é descrente. “Estou há três anos na Câmara dos Deputados e ouço falar da Reforma Política com frequência, mas ela não sai do lugar. Porém, como o país está mudando, e num processo de amadurecimento rápido, a Reforma Política terá de contemplar tal mudança.”

José Eliton

Perguntado se apoia a candidatura de José Eliton, do PSDB, para governador de Goiás, em 2018, Fábio Sousa afirma que se trata de um nome qualificado, mas que prefere não discutir o assunto agora. “Acabamos de sair de uma eleição e, por isso, não devemos começar a discutir a eleição de 2018. O país vive uma das maiores crises de sua história, com alto desemprego e sofrimento das famílias, com quebradeira de empresas. Isto é mais importante do que discutir eleições.”

Fábio Sousa fria que seu foco não é o debate eleitoral de 2018. “O que quero mesmo é ser um bom deputado para o meu Estado e para o meu país. Por isso estou focado em Brasília, no meu trabalho na Câmara dos Deputados. Quero ser, se não o melhor, um dos melhores deputados da Câmara. Hoje, estou atuando na Comissão de Constituição e Justiça e na Comissão de Ciência e Tecnologia, da qual fui presidente.”

A participação dos demais deputados federais de Goiás pode ser considerada qualitativa? “Sim, o trabalho dos deputados goianos é elogiado pelos deputados de outros Estados. A bancada é vista como preparada, qualitativa. Thiago Peixoto, do PSD, chegou agora, mas já mostra que é capacidade e está participando de comissões e dos debates cruciais.”

A respeito do presidente da Câmara dos Deputados recém-eleito, Rodrigo Maia, do DEM, Fábio Sousa afirma que espera que faça um trabalho de fortalecimento do Legislativo. O que diz a respeito da citação de Rodrigo Maia pela Operação Lava Jato como tendo se beneficiado de esquema possivelmente corrupto? “Rodrigo Maia terá de se explicar, mas acrescente-se que não é réu. Há uma suspeita que precisa ser fundamentada.”