“Comigo, nada foi tratado sobre isso. Não houve nenhuma consulta, nenhuma conversa sobre isso”, sustenta Antônio Carlos Moretti Bermudez

Antônio Carlos Moretti Bermudez, brigadeiro: ex-comandante da Aeronáutica | Foto: Reprodução

Acareação à vista? A “Veja” demorou, mas finalmente ouviu o ex-comandante da Aeronáutica Antônio Carlos Moretti Bermudez para responder a uma denúncia grave. O ex-ministro da Defesa Raul Jungmann disse à revista que o presidente Jair Bolsonaro pediu a “um comandante militar” — não especificando qual — que desse um voo rasante no Supremo Tribunal Federal para “estourar os vidros do prédio”.

O brigadeiro Bermudez contesta a “informação” de Jungmann. Bolsonaro não teria feito nenhuma consulta. “Comigo, nada foi tratado sobre isso. Não houve nenhuma consulta, nenhuma conversa sobre isso.” A “Veja” enfatiza que, “como comandante da Aeronáutica na época, caberia a ele mobilizar a equipe de solo e de voo para uma operação e dar uma ordem para que os jatos sobrevoassem o STF”. Se for verdade o que Bermudez afirma, a versão de Jungmann não procede.

O ex-ministro da Defesa frisa que Bolsonaro demitiu os comandantes do Exército, da Aeronáutica e da Marinha porque não acatavam seus pedidos. “Ao confrontá-lo com o absurdo de ações desse tipo, eles foram demitidos”, assinalou Raul Jungmann. À “Veja”, Bermudez frisou que a exoneração não tem a ver com pedidos não atendidos de Bolsonaro. “Mas se recusou a entrar em detalhes sobre os reais motivos da troca dos chefes das três forças armadas”, pontua a revista.

Jungmann fica numa situação delicada. Pois, se não apresentar as provas do que disse à “Veja”, ficará com a imagem de que “mentiu” para “manchar” a imagem de Bolsonaro. O ex-ministro tem a imagem de homem sério, incapaz de uma leviandade.