Estudantes querem discutir as OSs na Educação. Já militantes querem fazer política

Surrealismo pintura

Comenta-se entre militantes esquerdistas que a esquerda vive e respira o dissenso, raramente o consenso. Dois trotskistas juntos, por mais de duas horas, logo surge uma dissidência — o trotskista do b e o trotskista do c. No Brasil, ao menos durante algum tempo, quase havia mais partidos comunistas — PCB, PC do B, PCBR, PCR, VPR, VAR-Palmares, ALN, Ala Vermelha, Molipo, Colina (alguns não eram partidos, e sim organizações revolucionários, guerrilheiras), entre outros — do que comunistas. Cinco esquerdistas articulados fazem tanto barulho que observador que estiver distante pensa que se tratam de 200 esquerdistas. Em Goiás, não é diferente.

Na Secretaria de Educação, Cultura e Esporte, na quarta-feira, 6, em Goiânia, militantes políticos e estudantes tentaram, mas não conseguiram esconder as divisões do movimento. Sindicalistas e militantes de partidos políticos hostilizavam abertamente a secretária Raquel Teixeira — que pode até ser tachada de vaidosa, mas é tolerante, civilizada e sempre aberta ao diálogo. A educadora queria conversar, mas tais militantes, pegos no contrapé, deixaram exposta a contradição: não querem o diálogo. Eles sugeriram, o tempo todo, que o diálogo não é eficaz. Porém, vários estudantes — que foram utilizados como massa de manobra nas invasões das escolas, mas não são alienados — mostraram-se interessados em conversar e entender de fato a proposta de compartilhamento da gestão da Educação por intermédio das organizações sociais. Curiosamente, muitos ficaram surpresos ao saber que não há, no projeto, nenhuma linha sobre privatização e que não se fala, em nenhum momento, em demissão de professores. Os estudantes, que estão mais preocupados com o ensino do que com militância política, deram uma lição de civilidade aos integrantes da esquerda.

Uma resposta para “Estudantes querem discutir as OSs na Educação. Já militantes querem fazer política”

  1. Avatar Caio Maior disse:

    Militantes ideológicos travestidos de “lideranças estudantis” radicalizam posições, mas não acrescentam propostas a debate algum: repetem chavões como se fossem “papagaios de piratas”. Ao contrário de estudantes compromissados com a lógica do saber ignoram o poder da palavra e a força do diálogo. Os “militantes doutrinados” não se dispõem a construir alternativas, a buscar soluções que contemplem as aspirações da maioria que almeja educação pública de qualidade e gratuita; aliás, sequer imaginam que uma OS na Educação terá necessariamente este compromisso! Só o pensamento livre e independente de autênticos estudantes poderá superar o bloqueio mental dos intolerantes alienados que se pretendem “mentores das massas”.

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