Há um evidente descompasso entre as análises que fazem do pré-candidato do PR a prefeito de Goiânia, Waldir Delegado Soares, e sua permanência quase no topo das pesquisas de intenção de voto.

No meio político e entre pesquisadores e marqueteiros, entre os analistas mais qualificados, não há um que não aposte contra o deputado federal Waldir Soares. Todos dizem que vai desidratar durante a campanha e que não tem experiência e competência para administrar Goiânia. Os críticos também apontam que faltam ao seu lado técnicos com experiência em gestão pública. O mais qualificado é mesmo o médico Zacharias Calil, do PMB, que tende a ser seu vice e, de algum modo, tende a contribuir para inseri-lo na classe média e entre os formadores de opinião.

Tudo bem que pensem assim. É até possível que estejam com a razão. Há cerca de 30 anos, os eleitores colocaram Daniel Antônio na Prefeitura de Goiânia e foi um fracasso retumbante. Os prefeitos seguintes demoraram a recuperar a capital. Sacrificar a cidade como forma de protestar contra tudo e contra todo pode não ser um bom negócio para os cidadãos. Às vezes, beira à irresponsabilidade.

Mas há um problema com as análises, ao menos em termos de popularidade. Waldir Soares “apanha” daqui e dali, é frequentemente mencionado com ressalvas, especialmente nos bastidores, mas está sempre entre os primeiros colocados nas pesquisas de intenção de voto. Há, por assim dizer, uma permanência, uma estabilidade (há quem afiance que está estagnado). Isto é um sinal preciso de que há sintonia entre o postulante do PR e o eleitorado de Goiânia. Fica-se com a impressão de que seu eleitorado não o abandona — é praticamente fixo. É preciso incorporar tal informação às análises.