Entenda por que Michelle Bolsonaro recuou e decidiu “compor” com Flávio Bolsonaro
25 julho 2026 às 21h00

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Há quem pense que Michelle de Paula Firmo Reinaldo Bolsonaro é uma neófita política. Não é. Os quatro anos como primeira-dama, circulando no Palácio do Planalto e no Palácio da Alvorada, além de contatos variados com políticos e marqueteiros, foram sua faculdade de ciências políticas. Ela sabe das coisas e não tem nenhuma inocência.
Aos 44 anos, nascida em Ceilândia, no Distrito Federal, Michelle Bolsonaro é uma política madura e inteligente. Segue à risca aquilo que seu pessoal de marketing formula — observe-se que seus vídeos são bem-feitos e relativamente enfáticos — e sempre acrescenta algumas de suas ideias. Portanto, não deve ser subestimada, nem mesmo por jornalistas.
Crise política com Flávio Bolsonaro
O Jornal Opção tem conversado com pessoas que mantiveram ou mantêm algum contato com Michelle Bolsonaro. Todas dizem a mesma coisa: ela tem personalidade e não se subordina, politicamente, a ninguém — nem mesmo ao marido, Jair Bolsonaro, “por quem é verdadeiramente afeiçoada”.

Nas suas reuniões, com o pessoal do marketing e políticos — como a senadora Damares Alves (Republicanos) —, Michelle Bolsonaro expõe o que pensa e ouve cuidadosamente o que os outros dizem. Examina pesquisas, qualitativas e quantitativas, com o máximo de interesse, sempre inquirindo sobre pormenores. Pode parecer, mas não é uma madame alienada. E, sim, ela já leu sobre Evita Perón.
Recentemente, segundo as fontes, Michelle Bolsonaro e seus aliados — bolsonaristas do ramo michelliano — examinaram duas pesquisas sobre o quadro sucessório no Distrito Federal.
As fontes dizem que Michelle Bolsonaro não gostou nada do que viu. Uma das pesquisou mostrou-a atrás da senadora Leila do Vôlei na disputa por uma vaga no Senado.

Michelle Bolsonaro ficou preocupada e quis saber qual o motivo que levaram à sua queda e à ascensão de Leila do Vôlei, do PDT.
A ex-primeira-dama teme que Celina Leão “queime” sua candidatura. No entorno de Michelle Bolsonaro comenta-se que José Roberto Arruda, do PSD, “se a justiça não o impedir, poderá ser eleito governador do DF”
O entorno de Michelle Bolsonaro, examinando os dados, chegou à conclusão de que sua briga com Flávio Bolsonaro repercutiu bem na imprensa, e até gerou simpatia no país.
Mas no Distrito Federal, reduto altamente bolsonarista, o conflito não teria pegado nada bem para Michelle Bolsonaro — daí sua queda relativa.
O que fazer? Se fosse irrealista, Michelle Bolsonaro insistiria no conflito, que lhe rendeu mídia positiva.

Porém, realista absoluta — o que nada tem a ver com intelectualidade —, Michelle Bolsonaro, ao receber pedido de desculpas de Flávio Bolsonaro, recuou e o aceitou. Disse que o perdoou. Agora, é verificar a próxima pesquisa. Se superar Leila do Vôlei, a sua nova tática funcionou.
Havia — na verdade, há — outro problema: pouco a pouco, a deputada Erika Kokay, do PT, vem se aproximando, quase chegando aos 30% das intenções de voto. Há, inclusive, a possibilidade de a esquerda eleger duas senadoras — a petista e a pedetista Leila do Vôlei.
Celina Leão “puxa” Michelle para baixo
Michelle Bolsonaro descobriu também que a governadora Celina Leão, do pP, a quem falta empatia, também estaria prejudicado seu projeto político. Por isso, mesmo sem se afastar da gestora, vai, a partir de agora, descolar um pouco sua imagem da sucessora de Ibaneis Rocha. Sua campanha será mais solo.

A ex-primeira-dama teme que Celina Leão “queime” sua candidatura. No entorno de Michelle Bolsonaro comenta-se que José Roberto Arruda, do PSD, “se a justiça não o impedir, poderá ser eleito governador”.
Quanto a ser candidata ou não, é uma questão pacificada. Michelle Bolsonaro vai disputar mandato de senadora. Porque sabe que, se ficar sem mandato, o bolsonarismo — o de Flávio e Eduardo Bolsonaro — vai jogar pesado contra ela. Se eleita senadora, poderá pleitear a Presidência da República em 2030 ou 2024. (E.F.B.)



