A fase está tão boa para o governador Ronaldo Caiado (UB) que já recebe elogios até de político sindicalista. A cena ocorreu no evento que uniu lideranças políticas e empresariais no Auditório Mauro Borges, do Palácio Pedro Ludovico Teixeira (PPLT), na sexta-feira, 30.

O motivo que unia todos ali era a proposta, que tramita no Congresso Nacional, sobre a reforma tributária e que vem repercutindo de forma, para dizer o mínimo, polêmica tanto em governos estaduais como no empresariado como um todo.

Caiado tem puxado coro contra as medidas e alcançando liderança nesse processo. A pauta tem trazido algumas figuras um tanto distantes politicamente do governador. Uma delas é o senador Vanderlan Cardoso, que, além de representante do Estado no Congresso, tinha ali outros dois motivos para superar alguma aresta: é um empresário importante e reconhecido e recentemente assumiu a presidência do PSD, no lugar de Vilmar Rocha. O partido é da base aliada e tem o ex-deputado federal Francisco Júnior na presidência da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Goiás (Codego).

Vanderlan tem pretensões eleitorais para o próximo ano, em Goiânia. Se conquistar o apoio do governador pode ser algo mais complexo – embora na política tudo (ou quase tudo) seja possível –, não tê-lo como adversário duro já é algo positivo. No melhor dos cenários, quem sabe pode pintar uma reedição da aliança de 2020 (sonhar não custa nada).

Outro ponto que chamou a atenção no evento foi o discurso inflamado de um vereador Rodrigão (PRTB), de Catalão. Representante sindicalista no Legislativo – é funcionário da montadora Mitsubishi – em palavras de apoio bem-humoradas, ele se dirigiu ao governador para mostrar o apoio dos trabalhadores da empresa e se propôs até a puxar manifestações pelas reivindicações do Estado.

“Eu falo que o Brasil é meio bagunçado. O dia em que fui viajar de avião a primeira vez, Caiado, fui de Uberlândia a São Paulo, custei a arrumar o dinheiro da passagem. No meio do caminho, falaram “tem uma conexão em Confins”. Eu pensei, “uai, será que tem de pagar imposto?”. Descobri que tem uma cidade com nome de imposto, lá [perto] em Belo Horizonte. Eu fiquei com medo!”, contou, arrancando gargalhadas da plateia.