Eleitor vai dar o “céu” para Gomide e o “inferno” para Anápolis?

O prefeito conta com o apoio de Ronaldo Caiado e, possivelmente, com o de Bolsonaro. Antônio Gomide é contra o governador e o presidente

Nove candidatos disputam a Prefeitura de Anápolis: Antônio Gomide, do PT, Delegado Federal Humberto Evangelista, do PSD, Douglas Rodrigues Carvalho, do PSOL, João Gomes, do PSDB, José de Lima, do Patriota, Josmar da Mouragás, do PRTB, Márcio Corrêa, do MDB, Roberto Naves, do PP, e Valeriano Abreu, do PSL.

Mas até as ruas, os postes, as urnas e, quiçá, as crianças de 7 anos sabem que os candidatos que devem ir para o segundo turno são o deputado estadual Antônio Gomide, do PT, e o prefeito Roberto Naves, do Progressistas. São dois políticos consistentes, acostumados a embates duros.

Mas há uma questão crucial: os eleitores vão dar o “céu” para Gomide e o “inferno” para Anápolis? Parece confuso. Vamos tentar esclarecer.

Gomide foi prefeito de Anápolis por duas vezes. Não foi um gestor ruim. Mas os eleitores certamente sabem que, quando governou a cidade, o PT estava no comando do país. As verbas jorraram no município. Lula da Silva e Dilma Rousseff, como presidentes, ajudaram a governar Anápolis. É provável que, sem o apoio da cúpula petista, encastelada no Palácio do Planalto, o petista teria feito uma administração de mediana para medíocre. O que se está dizendo é um fato — uma constatação — e não uma interpretação. Trata-se de uma questão objetiva.

O Brasil — assim como Anápolis — vive uma crise econômica gigante. Os recursos das prefeituras minguaram e o prefeito que não tiver apoio dos governos federal e estadual terão dificuldade para gerir as contas públicas — com a possibilidade, inclusive, de atrasar salários a partir de 2021.

Roberto Naves, prefeito de Anápolis, e Antônio Gomide, ex-prefeito | Foto: Jornal Opção

Veja duas situações a respeito de Anápolis.
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Primeiro, o caso de Roberto Naves. O prefeito provou, no poder, que é um gestor eficiente. Os funcionários e fornecedores recebem em dia. A gestão municipal conseguiu atrair empresas para o distrito industrial e para a cidade — o que gerou novos empregos, reduzindo o impacto da crise na sociedade Anapolina. Os empresários, os que já estão na cidade e os chegantes, comentam que a gestão eficiente e participativa foi decisiva para o bom funcionamento da economia local.

Ao assumir a prefeitura, em 2017, Roberto Naves não recebeu uma administração ajustada e eficiente. Em três anos e nove meses, ajustou as contas da prefeitura — dentro do possível —, recuperou a imagem do setor público como empreendedor e melhorou a qualidade dos serviços. A área de saúde, como todos sabem na cidade, era o calcanhar de aquiles — verdadeiro Abaporu — gigante do município. Não é mais. Durante a pandemia, o prefeito agiu com eficiência e contribuiu, de maneira decisiva, para salvar centenas de vidas. Continua contribuindo.

Com a prefeitura ajustada, depois de uma gestão profissional, Roberto Naves quer um novo mandato para sedimentar seus projetos. Ele pretende ser o prefeito do emprego. Mas não do emprego meramente tradicional, e sim, sobretudo, o do emprego qualificado que gera uma renda maior para os trabalhadores. A saúde, sugere, será ainda melhor. A sociedade, com mais investimentos no social, será mais inclusiva.

Roberto Naves conta com um trunfo extra. Ele tem o apoio do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, do partido Democratas, e do presidente da República, Jair Bolsonaro. Além de uma bancada forte de deputados federais e estaduais. Num ano de recuperação, como será 2021, será decisivo contar com o apoio do governador e do presidente — que terão Anápolis como prioridade. A lógica sugere, portanto, que uma vitória de Roberto Naves mantém Anápolis nos trilhos do desenvolvimento.

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Segundo, o caso de Gomide. Não se está dizendo que, se o petista vencer, Ronaldo Caiado e Bolsonaro o boicotarão. Não é bem assim. Na verdade, no caso de vitória de Gomide, o que se está sugerindo é que há a hipótese de Anápolis não se tornar prioridade para os governos estadual e federal. É uma questão de lógica política, de realismo — não de ilusões e fantasias.

Um Gomide isolado, com os recursos quase que tão-somente da prefeitura — ele é brigado inclusive com o irmão, Rubens Otoni (tanto que omite o sobrenome Otoni de seu nome: Antônio Roberto Otoni Gomide) —, será prejudicial para Anápolis, quer dizer, para todos os anapolinos. Grandes empresas, por exemplo, poderão se instalar em Aparecida de Goiânia, Senador Canedo, Rio Verde, Luziânia — deixando Anápolis de lado. Portanto, um Gomide isolado, sem apoios federal e estadual, poderá travar o desenvolvimento de Anápolis.

Afinal, se trata de uma questão meramente política ou de lógica? Os eleitores têm o direito de escolher. Podem ficar com um prefeito que, governando sob cerco, pode prejudicar Anápolis. É o caso de Gomide. Ou podem ficar com um prefeito que, tendo apoio amplo, pode expandir o desenvolvimento da cidade — atraindo mais empresas e gerando mais empregos.

Repete-se a pergunta que não ousa calar: os eleitores vão dar o “céu” para Gomide e o “inferno” para Anápolis?

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