A partir de abril de 2022, a tendência é que Carlesse fique sozinho, na chapada. Ronaldo Dimas é o preferido dos eleitores, segundo pesquisa

O governador do Tocantins, Mauro Carlesse (PL), reaproximou-se de seu vice, Wanderley Barbosa (sem partido). Por qual motivo?

Mauro Carlesse e Eduardo Gomes: será que o senador vai conseguir se livrar do “peso morto”, o governador?| Foto: Reprodução

Inicialmente, Carlesse teria dito que iria ficar no governo para bancar a candidatura do senador Eduardo Gomes, do MDB, a governador. Porém, com a divulgação de pesquisas, como a do instituto Paraná Pesquisas — que mostrou Ronaldo Dimas (Podemos) em primeiro lugar, disparado (num cenário, tem 24,4%; noutro cenário, tem 30,4%) —, Eduardo Gomes apareceu com apenas 12% das intenções de voto.

Qual é o problema de Eduardo Gomes? Primeiro, há um forte sentimento de mudança no Tocantins, e quem encarna este sentimento é, no momento, o ex-prefeito de Araguaína Ronaldo Dimas. Segundo, a história de que Eduardo Gomes só “pensa” em negócios está se disseminando. Terceiro, há o problema Carlesse, que, considerado pesado, estaria “puxando” o senador para baixo.

Wanderlei Barbosa de Castro, vice-governador, e Mauro Carlesse, governador do Tocantins: reaproximação? | Foto: Reprodução

Costuma-se sugerir que Carlesse interessa a Eduardo Gomes por causa de estrutura — que significa peso político no interior (influência entre os prefeitos e lideranças municipais), quer dizer o peso da máquina, e recursos financeiros. Mas Eduardo Gomes realmente precisa dessa estrutura? Há quem diga, entre aliados do senador, que hoje ele tem forte ligação com os prefeitos, dada sua força no Senado para transferir recursos financeiros para os municípios tocantinenses.

Quanto aos recursos financeiros, corre a informação de que o empresário Ogari Pacheco pode bancar sozinho a campanha de Eduardo Gomes. Multimilionário, Ogari Pacheco é o primeiro suplente de Eduardo Gomes, portanto, se este for eleito para o governo, ele assumirá o mandato no Senado por quatro anos. Portanto, dinheiro não será problema para o senador. Sendo assim, o emedebista não precisará ficar dependente de Carlesse.

Ronaldo Dimas: liderança em pesquisa levou pânico às hostes de Mauro Carlesse | Foto: Reprodução

Pesquisas qualitativas sugerem que, como há um forte sentimento de mudança entre o eleitorado, tende a ser eleito governador aquele candidato que se postar como oposição firme, porém propositiva, à gestão de Carlesse. No momento, Eduardo Gomes hesita. Quer o apoio do governador, os dois mantêm relações positivas — são ases dos negócios (e não se está falando necessariamente no mau sentido) —, mas, ao mesmo tempo, sabe que, de alguma maneira, precisa se manter afastado do líder do PSL, hoje altamente “contaminante” (tanto que é o quarto colocado, na pesquisa do Instituto Paraná, para senador).

A pergunta de um 1 milhão de dólares é: Eduardo Gomes terá coragem de jogar o “peso morto”, Carlesse, fora — sacrificando a atual relação? Não se sabe. Mas, quando se trata de política, tudo é possível. O senador é um político, acima de tudo, pragmático. Percebendo a possibilidade ser “abandonado” por Eduardo Gomes, o governador está se reaproximando de Wanderlei Barbosa. Ou seja, tende a deixar o governo, para disputar mandato de senador ou deputado federal, e a bancar a reeleição do vice.

Irajá Silvestre, Edison Tabocão, Ronaldo Dimas e Terciliano Gomes: uma frente política para repor o Tocantins no caminho do desenvolvimento e da probidade | Foto: Divulgação

Mas, no fundo, Carlesse quer apoiar Eduardo Gomes, porque acredita que Wanderlei Barbosa — teme-se que ele se torne uma espécie de novo Carlos Gaguim —, se for candidato, acabe por se tornar um autêntico vexame. Um fracasso eleitoral do vice pode enterrar o próprio projeto político-eleitoral de Carlesse.

De qualquer maneira, relevante mesmo é que a oposição está forte e que o eleitorado está decidido a promover, via voto, mudanças drásticas na estrutura de poder político do Tocantins. Fala-se que Carlesse pode ficar no governo para ajustar as contas e “maquiar” seus problemas. Pois os eleitores, por seu turno, querem operar uma “operação limpeza” no Tocantins — elegendo um político que seja realmente adversário do gestor estadual.

A tendência é que, se manter o discurso contra a gestão de Carlesse — considerada um “desastre” pelos tocantinenses (só os áulicos a aprovam) —, a tendência é que Ronaldo Dimas amplie sua aliança política, incluindo também o chamado Grupo do Bem, liderado pelo ex-senador Ataídes Oliveira (Pros), pelo ex-deputado federal e ex-prefeito de Gurupi Laurez Moreira e pelo ex-prefeito de Palmas Carlos Amastha. Os senadores Kátia Abreu (PP) e Irajá Silvestre (PSD) e o empresário Edson Tabocão (cotado para ser vice) estão empolgados com o projeto político de Ronaldo Dimas.

O objetivo da oposição é “desprivatizar” o governo do Tocantins e, portanto, devolvê-lo ao povo, à sociedade do Estado. Neste momento, quem faz discurso de oposição de fato, denunciando os problemas — graves — do governo de Carlesse são Ronaldo Dimas e Ataídes Oliveira. Os dois não fazem concessões.

O fato é que pintou “desespero” nas hostes de Carlesse. Tanto que, depois da divulgação das pesquisas, o governador teria promovido várias reuniões, inclusive chamando prefeitos para conversar. O governador estaria “assustado”, porque sabe que, se eleito, Ronaldo Dimas vai abrir a caixa-preta de seu governo. O que, possivelmente, resultará em dezenas de processos judiciais — o que poderá levar, em caso de condenação, em inelegibilidade e, inclusive, prisão de Carlesse e alguns epígonos.

Já se notou um fato: há aliados de Carlesse que já estão pensando em abandonar o barco, não em 2021, e sim a partir de abril de 2022. Querem escapar da debacle generalizada e, sobretudo, não querem morrer, “afogados”, com o governador. Em 2022, principalmente depois que deixar o governo, se deixar, certamente começará a dizer: “Não me deixem só!” Vai descobrir que, sem poder, ficará só — com seus novo “amigos”, os processos judiciais.