Economistas nacionais percebem, como Marconi Perillo agiu cedo, crise não implodiu Goiás

Os economistas Ana Carla Abrão e Pérsio Arida — este, um dos pais intelectuais do Plano Real, que estabilizou a economia brasileira nos governos de Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso — incluíram o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), na roda da elite dos economistas tucanos e, também, dos que, embora não sejam tucanos, estão próximos de seu ideário. São, no geral, socialdemocratas que incorporam ideias liberais e, alguns, são liberais que incorporam ideias socialdemocratas.

Apontado como “antenado” pelos economistas de proa do país, o tucano-chefe ouve muito sobre saídas para a crise, tanto a nacional quanto sobre suas variações regionais, e quase sempre explica como fez para que Goiás não se tornasse, por exemplo, um Rio Grande do Sul.

Os economistas admitem que boas ideias às vezes demoram a dar bons resultados, sobretudo quando os ajustes são muito fortes. Por isso, percebem o “case” de Goiás como interessante para se estudar. Entre 2014 e 2015, com um ajuste fiscal rigoroso e contenções pesadas — o que chegou a desagradar a base aliada (o ex-secretário da Fazenda Simão Cirineu saiu de Goiás com um apelido que se tornou uma segunda pele — “Cirinão”) —, quer dizer em dois anos, o governo colocou a casa em ordem.

Quando a crise nacional atingiu os Estados com extrema brutalidade, Goiás, que não é uma ilha, foi atingido, porém, como o governo havia feito a lição de casa, o Estado foi menos abalado. O fato de pagar o salário dos funcionários e os fornecedores, colocando um dinheiro certo no mercado todo mês, é um dos fatores de estabilização da economia. Noutros Estados, com os governos à beira da insolvência, quase nada funciona e o impacto da crise nacional é muito mais forte.

Os economistas notam que Marconi Perillo poderia ter interferido, como fez, ou não ter interferido, para ficar bem com muita gente. Sua ação pode ter desagradado no início, mas, no médio prazo, foi decisiva para que o governo e, por consequência, a economia — o governo, a rigor, é a maior “empresa” de Goiás — não afundassem, criando um ambiente destrutivo.

Nas crises, mesmo nas de matizes nacionais, como é o caso atual, os governos têm uma margem de atuação, para impedir que os Estados naufraguem por inteiro. É o que os economistas perceberam que aconteceu em Goiás.

 

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.