A política, em termos de eleições, ainda se faz no corpo a corpo, quer dizer, nas visitas às cidades e no contato direto com os eleitores. Não se deve menosprezar as redes sociais e o programa de televisão, porque tem importância, mas não são decisivos.

Fora os candidatos midiáticos, como Gustavo Gayer, Matheus Ribeiro e Silvye Alves, os demais candidatos com o devido peso eleitoral mantiveram contatos frequentes com suas bases eleitorais. Os postulantes a mandato de deputado federal e estadual não pararam e circularam praticamente por todo o Estado, sempre em contato direto com lideranças políticas (entre outras, como empresários) e os eleitores.

Na política ainda vale muito o olho no olho, o aperto de mão e o abraço. Enfim, embora a política seja uma atividade racional, a emoção é um ponto de conexão decisivo entre candidatos, apoiadores e eleitores.

Um segundo mito ruiu nesta eleição: o apoio maciço dos prefeitos não é tão decisivo para virar uma eleição. Por dois motivos prováveis.

Primeiro, a maioria dos prefeitos, nos primeiros anos, está “arrumando a casa” e, por isso, em geral não faz muitas obras; portanto, eles têm desgastes. A prática comum é viabilizar a gestão nos dois últimos anos.

Segundo, o processo de transferência de votos não é automático. Não basta o prefeito de uma cidade apoiar um determinado candidato. Este precisa ter alguma identidade com o município. Os eleitores precisam acreditar que realmente serão representados.

Por fim, fica a questão: o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, do União Brasil, conta com o apoio da maioria dos prefeitos. Mas é por isso que lidera as pesquisas de intenção de voto? Não necessariamente. O mais provável é que os prefeitos decidiram apoiá-lo para não ficarem para trás. A popularidade do governador é alta desde muito antes do início da campanha eleitoral.

O fato é que Ronaldo Caiado tem alta conexão — uma sintonia fina — com a sociedade civil, numa comunicação direta. Suas ações nas áreas de saúde, educação e segurança foram ao encontro do pensamento médio — a maioria — da sociedade.