Desradicalização dos eleitores aponta por opção por candidatos moderados e experimentados

Os eleitores de 2018 estão de cara nova para a disputa de 2020. Direitistas e esquerdistas estão perdendo espaço para políticos experientes

Como funciona realmente a cabeça do eleitor? Há uma tendência de os eleitores optarem por votar em candidatos que são avaliados como gestores eficientes e, ao mesmo tempo, são menos políticos. Se apresentar resultados positivos para a sociedade, costumam avaliá-los positivamente, ainda que também sejam vistos como “muito” políticos.

Os eleitores também estão preocupados em apoiar candidatos que são “decentes”, que têm boa imagem pública. Mas, afiançam, não basta ser honesto. Eles precisam ser competentes.

Há momentos também em que os eleitores se radicalizam, seguindo a radicalização dos políticos, como em 2018. Na eleição daquele ano, os eleitores escolheram votar em Jair Bolsonaro (então no PSL), da direita, e Fernando Haddad (PT), da esquerda. Os dois foram para o segundo turno.

Para não permitir que o PT voltasse ao poder, depois de patrocinar uma onda de corrupção e de ter gerado uma crise econômica que devorou empregos e reduziu o poder de consumo, os eleitores se radicalizaram ainda mais e “compraram” o discurso de Bolsonaro.

Uma vez no governo, Bolsonaro não demonstra ser um gestor dos mais eficientes e a crise econômica continua (ainda que o problema tenha a ver menos com seu governo e muito mais com a pandemia do novo coronavírus). O desemprego cresceu e continua crescendo. A popularidade do presidente caiu. E só não caiu mais, segundo uma pesquisa do Instituto Vox Populi, porque está “tomando” parte significativa do eleitorado do PT no Nordeste. Trata-se de um eleitorado pobre e que foi largamente beneficiado pelos 600 reais repassados pelo governo federal.

As pesquisas estão mostrando que os eleitores estão se desradicalizando — aos poucos. No momento, eles estão em busca não do “novo pelo novo”, e sim de experiência, bom senso, equilíbrio e moderação (são palavras que aparecem nas qualitativas).

Observe-se o quadro em Goiânia. Iris Rezende, do MDB, é apontado como favorito. E ele tem 86 anos. O ex-governador e ex-prefeito de Aparecida de Goiânia Maguito Vilela, do MDB, outro bem avaliado, tem 71 anos. Ou seja, idade não tem peso, e sim experiência administrativa. Outro bem avaliado, mas desistiu de disputar, é o senador Vanderlan Cardoso, do PSD, de 58 anos. Os pré-candidatos mais jovens — Adriana Accorsi, do PT, Major Araújo, do PSL, Virmondes Cruvinel, do Cidadania, Francisco Júnior, do PSD, Talles Barreto, do PSDB, Dra. Cristina Lopes, do PL, e Elias Vaz, do PSB — até agora não empolgaram. Mas é cedo para se ter uma opinião consolidada a respeito deles, que, no geral, são pouco conhecidos.

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