Daniel Vilela vai disputar eleição para governador e não vai compor com Caiado

Uma vitória do senador do DEM para governador devolve o MDB ao comando de Iris Rezende

Daniel Vilela e Ronaldo Caiado: se entregar o “ouro” ao senador em 2018, o deputado federal só receberá “cascalho” em 2022

Raposa tão felpuda quanto Getúlio Vargas, Tancredo Neves teria dito que aquele que teme disputar — e perder — eleição nunca se tornará um grande político. Ganha musculatura o político que, mesmo perdendo, se apresenta, se expõe. Adiante, conquista espaço, se torna mais conhecido e, possivelmente, será eleito.

O caiadismo-emedebista, capitaneado pelo prefeito de Catalão, Adib Elias, espalha, pelos quatro cantos do Estado, que Daniel Vilela, entre julho e agosto, vai apoiar o candidato do DEM a governador, senador Ronaldo Caiado. Ele seria vice ou postulante ao Senado na sua chapa. Não é o que o deputado federal e presidente do MDB diz aos seus correligionários.

Nas visitas ao interior, nas quais formata a chapa de candidatos a deputado federal e estadual, a mensagem de Daniel Vilela é uma só: vai disputar o governo de Goiás e não apoiará Ronaldo Caiado. Sempre que alguém pergunta, responde, com sua moderação habitual: por que, tendo sido apoiado para senador em 2014, o presidente do Democratas não aceita a renovação e o banca para governador?

Se Ronaldo Caiado tem mais passado do que futuro, porque se aproxima dos 70 anos, Daniel Vilela, com 34 anos, se marcar posição agora, pode ter um amplo futuro pela frente. Se disputar mandato de governador, em outubro deste ano, se tornará mais conhecido, suas ideias poderão ser examinadas pelos eleitores de todo o Estado, e, nos próximos pleitos, poderá se apresentar novamente.

Pergunta-se: por que os políticos mais jovens, como Alexandre Baldy, Thiago Peixoto, Heuler Cruvinel, Francisco Júnior, Virmondes Cruvinel, Jean Carlo, Roberto Naves, Vinicius Luz, Valmir Pedro e Daniel Vilela, estão assanhados já agora (mesmo aqueles que nada vão disputar)? Porque não estão jogando só o presente. Estão pensando no futuro. 2018 pode fechar o ciclo de uma geração política — que possivelmente não estará operando em 2022. Iris Rezende, Ronaldo Caiado e Maguito Vilela — o pai de Daniel Vilela — provavelmente não disputarão mandato para cargo executivo em 2022. Marconi Perillo, depois de eleito governador quatro vezes, talvez (se eleito) permaneça no Senado. Então, daqui a quatro anos e alguns meses, se terá um “vazio político”.

Quem se colocar agora, se posicionando com firmeza, terá chance na eleição mais longínqua. Em 2020, com quase 90 anos, o prefeito de Goiânia, Iris Rezende, dificilmente disputará a reeleição. Tende a bancar Agenor Mariano ou Andrey Azeredo. Mas como vetar um Daniel Vilela que foi candidato a governador?

Então, se entregar o “ouro” a Ronaldo Caiado em 2018, Daniel Vilela só receberá “cascalho” em 2020 ou 2022. Há outro detalhe: uma vitória de Ronaldo Caiado para governador devolve o MDB ao comando de Iris Rezende…

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