José Eliton também pode ser beneficiado pelo sentimento de que é preciso derrotar as forças do conservantismo

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Goiás terá basicamente três candidatos competitivos na disputa de 7 de outubro deste ano: Ronal­do Caiado, do DEM, José Eliton, do PSDB, e Daniel Vilela, do MDB.

Ronaldo Caiado, “desconfiando” de sua liderança nas pesquisas de intenção de voto, procura construir uma aliança com o MDB. Entretanto, como este partido frisa que terá candidato a governador, o postulante do DEM trabalha, com o apoio de quatro prefeitos — Adib Elias, de Catalão, Paulo do Vale, de Rio Verde, Ernesto Roller, de Formosa, e Renato de Castro, de Goianésia —, para dividir o MDB com três objetivos. Primeiro, se fortalecer. Segundo, enfraquecer Daniel Vilela. Terceiro, tentar retirar o postulante emedebista do páreo.

Sem estrutura, o senador teme começar bem na frente e terminar bem atrás. No momento, enquanto luta para dividir o MDB, esconde outro fato: o DEM está inteiramente dividido. Parte de seus principais políticos, como prefeitos, tende a apoiar o candidato do PSDB a governador, José Eliton. Por isso, o postulante do DEM precisa de outro partido, o MDB, para ampliar sua estrutura no interior. Na capital, sente-se garantido pelo prefeito Iris Rezende, que fará jogo duplo até o final do pleito, dependendo dos números das pesquisas.

José Eliton é jovem, não tem desgaste pessoal (é um diferencial forte) e conhece como poucos Goiás e a máquina que terá nas mãos a partir de 7 de abril deste ano — daqui a 20 dias. Conhe­ci­mento é poder e o controle da má­quina resulta em poder redobrado. Com mais visibilidade, sendo ob­servado diretamente pelo eleitor (que poderá avaliá-lo, na eleição, já co­mo governador), a tendência é que melhore seus índices nas pesquisas. O que vai contar muito, pa­ra que seu nome seja eleitoralmente viável, será a estrutura que está montando. Ao mesmo tempo, tem ao seu lado um general eleitoral — Marconi Perillo — que nunca perdeu uma eleição para governador, nem mesmo quando apoiou o “pesadão” Alcides Rodrigues.
Daniel Vilela é outro jovem, pouco conhecido, assim como José Eliton. Integrantes do MDB estão tentando solapar sua candidatura — numa espécie de “traição” (conhecida como Operação Caia­dista de Troia) nunca vista antes no partido —, mas o deputado federal resiste, não recua e insiste que vai para a disputa em outubro.

Provando que sabe das coisas, quiçá por ser orientado por uma raposa política, Maguito Vilela, Daniel Vilela está trabalhando para montar uma frente de centro-esquerda — uma ampla coalizão progressista. O emedebista atua para obter o apoio do senador Wilder Morais e de seu partido, o PP. O presidente Michel Temer entrou na parada e age para puxar o PP para o palanque do presidente do MDB em Goiás.

O ministro das Cidades, Ale­xan­dre Baldy, que estava voltando para a base do governador Mar­co­ni Perillo, pode retroceder e seguir com Daniel Vilela. O ex-deputado federal Vilmar Rocha, do PSD, mantém conversações avançadas com Daniel Vilela e Maguito Vilela. O vereador Antônio Gomide, figura mais expressiva do PT em Goiás, deve integrar a aliança de centro-esquerda.

Há um consenso, nas forças de centro-esquerda, que o principal objetivo é derrotar o candidato do conservantismo, Ronaldo Caiado. Por isso, há quem postule que não se deve desidratar Daniel Vilela. Noutras palavras, a aproximação entre o emedebista e o senador Wilder Morais, o ministro Alexandre Baldy e Vilmar Rocha, longe de enfraquecer José Eliton, fortalece a frente, direta ou indiretamente, que trabalha para impedir a ascensão do senador do DEM ao governo de Goiás. Uma vitória de Caiado é positiva para ele e para o grupo de Iris Rezende, mas será destrutiva para o grupo dos Vilelas. Se o senador for eleito, Iris Rezende retoma o controle do MDB, expurgando tanto Daniel Vilela quanto Maguito Vilela.

No final da peleja, poderá não ser nenhuma surpresa se o segundo turno contemplar dois candidatos progressistas — Daniel Vilela e José Eliton. Não é que dizem as pesquisas de intenção de voto, mas pode ser o resultado das urnas. O termo a reter é “pode”. Porque o quadro também pode ser diverso e Caiado ser eleito.