Crítica ao governo de Caiado deve ser responsável e não pode prejudicar Goiás

O tucano Fernando Henrique Cardoso sempre criticou a fracassomania. Os tucanos do Cerrado deveriam levar suas palavras em consideração

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, citando o cientista político Albert Hirschman, é um dos críticos da “fracassomania”. Há aqueles que apostam, quase por esporte — mas às vezes de maneira mal-intencionada —, contra o sucesso do país. São os adeptos da fracassomania. Há os que acreditam num desenvolvimento utópico — o paraíso na terra — e se decepcionam com o desenvolvimento possível, real.

Fernando Henrique pertence ao PSDB. Aos 88 anos, é um tucano de bico erado. Durante os oito anos de seus dois mandatos, foi combatido, de maneira orgânica, pelo PT e seus aliados. Era tratado como neoliberal, quando, na verdade, é tão socialdemocrata quanto a corrente dominante no petismo. O fato é que, gostando-se ou não dele, estabilizou a moeda, o país — o que permitiu que Lula da Silva, do PT, fizesse um governo, o primeiro, estável, sem atropelos.

Ronaldo Caiado: ajustando o governo para levar o Estado ao crescimento econômico e ao desenvolvimento | Foto: Hegon Correa

Assim como Fernando Henrique, que reordenou a economia do país com o Plano Real, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, está ajustando o Estado. Os ajustes são uma estratégia para, adiante, retomar tanto o crescimento quanto o desenvolvimento. No exato momento em que se ajusta, que exige sacríficos, há resistências e críticas. A crítica é necessária, porque ilumina, esclarece e corrige possíveis desvios de percurso. Mas a crítica que não chega com a ideia de construção prejudica Goiás — e não só, como alguns imaginam, Ronaldo Caiado.

Prejudicar a imagem de Goiás, com o objetivo de “corroer” a imagem de Ronaldo Caiado, não é uma articulação política louvável. Armar blogs e jornalistas com o objetivo de apostar no quanto pior, melhor, pode agradar determinados políticos, os “chefes”, mas não ajuda em nada na melhoria do Estado. A crítica que é acompanhada de uma alternativa, do apontamento de um caminho realista e pragmático, contribui com Goiás, ou seja, com todos. Mas a crítica pela crítica, com a finalidade de desgastar a imagem de gestores — já pensando na eleição seguinte —, não é saudável, não é construtiva.

No caso de determinadas pendengas, o foro adequado é a Justiça — que tem de ser imparcial. Se houve irregularidades no governo anterior, como tem apontado o Ministério Público e o governo atual, que sejam denunciadas e, no momento oportuno, juízes, desembargadores ou ministros do STJ e do STF certamente decidirão se são procedentes ou não. Não denunciar irregularidades verdadeiras é prevaricar. O que não se deve fazer é exceder nas denúncias. Mas se houve ou se há problemas, se prejudicaram os goianos, é preciso apresentá-las. O que não se deve é ameaçar, com notas em jornais ou discursos retumbantes, aqueles que investigam possíveis erros.

Ex-presidente Fernando Henrique Cardoso: crítico da fracassomania | Foto: Wilson Dias/ ABr

Fala-se que Ronaldo Caiado está terminando obras dos governos de Marconi Perillo-José Eliton. Ora, o que há de incorreto nisto? Sua ação prova que tem uma política de Estado, que avalia que é preciso concluir as obras dos gestores anteriores, até para não desperdiçar os investimentos. Se não terminasse as obras, partindo imediatamente para outras, é que estaria equivocado. O Estado, frise-se, é maior do que o governo “x” ou o governo “y”.

Recentemente, Ronaldo Caiado disse aos produtores rurais para irrigarem suas terras à noite, e não durante o dia. É o correto. Fica patente, portanto, que está cortando, por assim dizer, na própria carne. Porque os produtores rurais avaliam que são “representados” pelo governador. O que Ronaldo Caiado está dizendo é: sou governador de todos os goianos, não apenas de segmentos. Isto — impessoal — é ser moderno.

O que se está dizendo, desde o início, não é que não se deve criticar ou que se deve suspender a crítica ao governo de Ronaldo Caiado. O que se está sugerindo é que a crítica seja responsável e aponte caminhos — o que poderá contribuir para o desenvolvimento de Goiás.

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