Crise na cúpula das Forças Armadas atrapalha “festa” em comemoração ao golpe 64

Na semana em que Bolsonaro esperava comemorar o 57º aniversário do golpe militar, ele conseguiu uma marca que entra para a história: pela primeira vez na história os comandantes das forças armadas deixam seus cargos ao mesmo tempo

Nesta quarta-feira, 31 de março, completam-se 57 anos desde que o Congresso Nacional depôs o então presidente João Goulart e uma junta militar assumiu o poder, dando início ao período ditatorial que perdurou por 20 anos no país. Por considerar que nunca houve ruptura antidemocrática por parte dos militares, o presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido) considera a data como um dia para comemorar, e seu governo ganhou na Justiça o direito de celebrar o golpe militar de 64. No entanto, não haverá clima de festa para ele. A decisão  dos comandantes das Forças Armadas de pedirem demissão em protesto a forma de conduzir a presidência do País, gerou uma crise que jogou água no chopp do presidente.

Na semana em que Bolsonaro esperava comemorar o 57º aniversário do golpe militar, ele conseguiu uma marca que entra para a história: pela primeira vez na história os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica deixam seus cargos ao mesmo tempo por discordância com o presidente da República. A tensão nas forças armadas chegou a um nível em que não há clima para comemoração  –  ficou difícil até de encontrar nomes para enviar convites para uma festa.

A demissão do general Fernando Azevedo e Silva, então ministro da Defesa, foi uma surpresa. As saídas de Edson Pujol (Exército), Ilques Barbosa (Marinha) e Antônio Carlos Moretti Bermudez (Aeronáutica) é o mais explícito sinal  negativo indicando que a cúpula das Forças Armadas está em discordância com o direcionamento do presidente. Mesmo tendo Jair Bolsonaro dobrado o número de militares em cargos políticos e tendo proposto aumento de 48,8% no orçamento do Ministério da Defesa em 2021, os militares não se sentiram à vontade com as cobranças de manifestações políticas das forças armadas que fossem favoráveis aos interesses do governo e apoio à ideia de decretar estado de defesa para impedir lockdowns pelo país.

Se nos anos de 2019 e 2020 a cúpula militar brasileira pediu discrição nas comemorações do golpe de 64, para evitar um acirramento das tensões políticas no País, neste ano eles estão no centro desta tensão. Bolsonaro deve preferir que a data passe em branco este ano.

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