Crise de Adib Elias com Ronaldo Caiado não é sinônimo de rompimento de grupos políticos

Há mesmo insatisfação com a possibilidade de Daniel Vilela ser vice do governador em 2022. Mas não indica rompimento incontornável

Os prefeitos de Catalão, Adib Elias (Podemos), de Rio Verde, Paulo do Vale (Democratas), e o presidente da Codego, Renato de Castro (ex-prefeito de Goianésia), estiveram com o governador Ronaldo Caiado (DEM), na quarta-feira, 18, no Palácio das Esmeraldas. Tema do diálogo: um possível “veto” à candidatura do presidente do MDB, Daniel Vilela, na vice de Ronaldo Caiado em 2022.

Ronaldo Caiado no dia da filiação de Adib Elias ao Podemos, ao lado do senador Álvaro Dias e do deputado federal José Nelto | Foto: Ascom

Apresentado como porta-voz do grupo, Adib Elias se mostrou indignado com a possibilidade de Daniel Vilela ser vice, considerando o fato de que, em 2018, o ex-deputado federal se postou contra a candidatura de Ronaldo Caiador a governador e, depois, expulsou políticos do partido, como o prefeito de Catalão.

Ronaldo Caiado teria ouvido a fala de Adib Elias com paciência, na posição de “magistrado”. Mesmo assim, o prefeito teria ficado irritado e deixado o gabinete antes do término da reunião. Teria se mostrado decepcionado e, com membros do Podemos, acrescentando que pode apoiar um candidato da terceira via. Teria sido procurado por um emissário de Gustavo Mendanha, mas teria dito que não compõe com emedebistas nem com tucanos.

Ronaldo Caiado e Paulo do Vale, prefeito de Rio Verde: objetivo é fortalecer e não dividir a base aliada | Foto: Reprodução

Paulo do Vale e Renato de Castro não estão satisfeitos com a possibilidade de Daniel Vilela ser vice de Ronaldo Caiado. Mas teriam dito ao governador que seguem no seu projeto e não vão compor com postulantes que estão se vinculando ao ex-governador Marconi Perillo. Ernesto Roller, secretário de Governo, também optou por ficar no governo e ao lado de Ronaldo Caiado.

Portanto, há uma crise, mas “crise” não é sinônimo de “rompimento”. Sublinhe-se que a crise está sendo contida pelo realismo da política: os políticos que estiveram com Ronaldo Caiado ficaram sob o “tacão” do PSDB de Marconi Perillo por 20 anos e só com o governador é que tiveram acesso ao poder e deixaram de ser “perseguidos”. O que se comenta é que até mesmo Adib Elias, depois do rompante inicial e das reportagens que apontarão um “rompimento”, vai recompor com Ronaldo Caiado em torno do projeto de reeleição.

Renato de Castro, presidente da Codego: demonstrar insatisfação com a possível presença de Daniel Vilela na base aliada não é o mesmo que pensar em rompimento| Foto: Reprodução

Há quem (inclusive na imprensa) esteja tentando potencializar a “crise”, transformando-a em “rompimento”, “mas os fatos mostrarão que o governador Ronaldo Caiado, que se relaciona bem com toda a base aliada, é o dique de contenção do problema”, afirma um membro do alto clero da base governista.

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