Correto é dizer que Caiado já refez 5 mil dos 7 mil km que herdou esburacados

Enquanto não despejar material de qualidade em cada milímetro de GO, haverá espaço para as lentes da maldade extraírem o que desejam sem atribuírem a quem de direito

Nilson Gomes

Goiás tem 21.600 quilômetros de rodovias estaduais, sendo 12.326km asfaltados. Quando Ronaldo Caiado assumiu o governo, em 1º de janeiro de 2019, havia mais de 7 mil quilômetros de panelas, afundamentos, deslizamentos e erosões alcançando o leito das vias – para usar os termos impressos em relatório do Tribunal de Contas do Estado. Um ano depois, mesmo após muitos esforços, técnicos do TCE inspecionaram 5.584km de asfalto e ainda encontraram afetados 1.425km de panelas, 494 de afundamentos, 147 de erosões e deslizamentos, além de 601 com sinalização deficiente. Herança maldita é filme de terror.

Em 2018, inaugurou-se a duplicação da GO-070, entre Goiânia e a Cidade de Goiás. Com um mês de chuva, no Natal que precedeu a posse de Caiado, já era possível sediar o Rally dos Sertões em seus 133km. Havia cratera com capacidade para “estacionar” um bitrem. Buraco ali era mato – e, sim, tinha mato também. Até drone atolava.

Conclusão do Relatório de Inspeção do Tribunal de Contas do Estado de Goiás

A situação era idêntica à ligação Goiânia-Bela Vista, na recém-entregue (pouco antes da campanha de 2018) duplicação com buracos seguidos de paisagem lunar. Os erros de engenharia na GO-020 provocavam acidentes a cada curva mal desenhada e só não eram mais graves porque as crateras impediam velocidade superior a 40 por hora, ritmo máximo dos auditores do TCE durante as averiguações por 5.584km de GOs.

Se permanecia desse modelo nas vitrines umbilicais com a região metropolitana, o cenário no restante do Estado era desolador, como tudo naquele início de 2019. Relembre-se que os salários dos servidores públicos estavam em atraso, assim como mais de um ano de repasses de merenda e transporte escolares para os 246 municípios. Note: está-se falando em verbas alimentares, como o lanche dos estudantes e a mesa das famílias sem o pagamento na conta.

O TCE concluiu em março a inspeção de 2020, quando o planeta já padecia com a Covid-19, o que reforça o agradecimento aos técnicos pelo trabalho em ambiente tão hostil — as estradas intrafegáveis herdadas de 2018 e a pandemia que colocava ainda em maior perigo os seguintes autores da pesquisa: Celso Hiroki, Jonas Rodrigues, Marcos Prates, Raquel Almeida, Daniel Menezes, Thiago Costa, Fernando Duarte, Ricardo Souza. Arriscaram a saúde e até a vida para traçar o painel confiável que desde então guia o planejamento da retomada.

Em 2013, o governo federal enviou recursos para Goiás refazer toda a malha viária. Foram 13 mil quilômetros de obras, o que inclui as estradas de chão. Enterraram o coração das verbas nas curvas das GOs. Haja curva: foram 13 bilhões de reais. Em 2015, antes de se encerrar o torra-torra de bilhão, já havia a imagem de sempre: panelas, afundamentos, deslizamentos, erosões por todos os lados. Era o rescaldo do que o povo batizou de asfalto-Sonrisal shhhhhhhhhh.

Coube a Caiado começar do zero. Nenhuma máquina no pátio. Devendo a pedreiros e empreiteiros. Só então viu-se que o maior buraco da Agetop não estava nas estradas, mas no caixa. O novo governador decidiu o óbvio, mudar tudo, até o nome da companhia.

Tradicional em estação chuvosa, retornam ao noticiário as cenas dantescas. Agora, felizmente, para encontrar atoleiros no nível dos antigos é preciso filmar rodovia não pavimentada ou GO vitimada pelo asfalto-Sonrisal shhhhhhhhhh.

A manchete correta é: Caiado herdou 7 mil quilômetros de panelas, afundamentos, erosões e deslizamentos. E já refez 5.800. Enquanto não despejar material de qualidade em cada milímetro de GO, haverá espaço para as lentes da maldade extraírem o que desejam sem atribuírem a quem de direito.

Há muito a fazer na infraestrutura do Estado, não apenas no sistema viário. Imagine os 13 bilhões de 2013 aplicados com honestidade e expertise na Educação… A chuva não levaria o investimento, que resiste ao tempo, às tempestades, às crises.

Entre o muito a ser realizado está a pavimentação de 10 mil quilômetros de estradas ainda de terra, poeira na seca, lama nas águas. É, o comemorado nas recentes quatro décadas não cobriu a metade das GOs, mesmo que com asfalto-Sonrisal shhhhhhhh. Quantas rodovias foram feitas nos últimos 40 anos? Exatamente nenhum centímetro. As últimas rodovias foram abertas no governo de Leonino Caiado.

É preciso ser justo ao atribuir as benfeitorias e, ainda mais, as responsabilidades. Panelas, afundamentos, erosões e deslizamentos fazem parte do mosaico quando se escolhe o modal rodoviário e o cobre de suspeitas. Porém, até esse erro histórico vai sendo corrigido. Goiás está crescendo para todas as regiões, o que aproxima as pessoas dos locais de produção, de atendimento médico, conforto, bem-estar. E os detalhes importam.

O governador Ronaldo Caiado, a primeira-dama Gracinha Caiado e diversos auxiliares, como os comandantes estaduais da Saúde (Ismael Alexandrino) e de obras (Pedro Sales), são adeptos do pedal e da probidade — ou seja, andam direito e preservando. Honestidade e competência aportaram em locais outrora antros, como o Meio Ambiente – e isso não é um elogio a Andréa Vulcanis, é o que se viu refletir no trio Indústria, Comércio e Serviços, que faz de Goiás campeão nacional em abertura de empresas de diversos portes, atração de capitais e criação de vagas, cumprindo a vocação empreendedora de goianas e goianos. A Educação é a melhor do Brasil – e isso não é um elogio, é o resultado do Ideb. Ronaldo Caiado melhorou a Segurança Pública porque pôs em prática um slogan escrito pelo povo: ou o bandido muda de profissão ou muda do Estado de Goiás.

Até o maior deles mudou – não de profissão, mas de Estado. E de vez em quando volta para gravar vídeoshhhhhhhhhhhhh.

Nilson Gomes é advogado e jornalista.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.