Coronavírus atinge muito mais crianças do que se pensava, diz Universidade da Flórida

Estudo feito por uma equipe de epidemiologistas indica que o número de crianças infectadas pode ser muito maior do que se divulga

O jornal “ABC”, da Espanha, publicou na segunda-feira, 20, a reportagem: “O coronavírus afeta muito mais crianças do que se pensava”. Mais: “Um novo estudo afirma que cada menino que recebe cuidados intensivos por causa da Covid-19, existem ‘ocultos’ outros 2.381 infectados”.

Publicado no “Journal of Public Health Management and Practice”, da Universidade da Flórida, o estudo frisa que “o número de meninos infectados pelo coronavírus é muito maior do que mostram as atuais estatísticas sobre a doença. Um detalhe ‘oculto” que, pelo menos nos Estados Unidos, pode ter a levado a subestimar a necessidade de sistemas de atenção médica infantil e unidades de cuidados intensivos pediátricos”.

O jornal de Madri frisa que “o estudo estima que, para cada criança que chega a necessitar de cuidados intensivos por causa da pandemia, existem outros 2.381 meninos infectados pelo vírus que escapam, em sua maioria, ao controle das autoridades sanitárias. O cálculo é feito analisando-se os dados de um informe do Centro Chinês para o Controle e Prevenção de Enfermidades elaborado com base num estudo clínico de mais de 2.100 crianças com Covid-19 na China”.

Os registros dos Estados Unidos apontam que 74 crianças norte-americanas infectadas deram entrada “nas unidades de cuidados intensivos pediátricos entre 18 de março e 6 de abril, o que significa que outros 176.190 meninos se infectaram durante o mesmo período. Os meninos com menos de 2 anos representam 30% dos casos, enquanto 24% tinham entre 2 e 11 anos e 47% dos que foram internados tinham entre 12 e 17 anos”.

Young child wearing a respiratory mask as a prevention against the deadly Coronavirus Covid-19

A tendência é que 50 mil meninos serão hospitalizados, “dos quais 5.400”
estarão em situação “muito grave e necessitarão de respiração assistida”

“ABC” frisa que, segundo os pesquisadores, até o final de 2020 pelo menos 25% da população dos Estados Unidos será infectada pelo coronavírus. Sendo assim, a tendência é que 50 mil meninos serão hospitalizados, “dos quais 5.400” estarão em situação “muito grave e necessitarão de respiração assistida.”

“Os informes clínicos indicam que a duração prevista de hospitalização de criança com a Civid-19 é de 14 dias. O dado é alarmante”, pois, em todo o país (os Estados Unidos), “só existem 5.100 leitos para todo tipo de urgências pediátricas”, anota o jornal.

“Ainda que o risco de enfermidades graves por Covid-19 seja menor em casos pediátricos que em adultos, os hospitais devem estar preparados e ter equipes qualificadas e adequadas para fazer frente a uma possível afluência de pacientes mais jovens”, afirma Jason Salemi, professor associado de epidemiologia na Faculdade de Saúde Pública da University of South Florida e principal autor da pesquisa.

O jornal aponta que, “no caso de meninos, a hospitalização resulta mais complexa do que o habitual — já que muitos hospitais, para cumprir os protocolos de distanciamento social e quarentena, proíbem a entrada de visitantes. E um cuidador também poderia estar infectado, o que requereria adaptar a logística habitual para o controle de infecções, aumentando ainda mais a pressão sobre os recursos do hospital. Ademais, depois da alta hospitalar, os meninos mais novos seguramente seriam incapazes de cumprir, por conta própria, as recomendações de auto-isolamento em casa”.

O estudo dos pesquisadores da Universidade da Flórida destaca que “a taxa de infecção será muito mais alta entre os meninos de famílias pobres”. Eles destacam que os pais mais pobres atuam no setor de serviços ou em trabalhos manuais, ou seja, não têm, em geral, como trabalhar em suas próprias casas. Como ficariam as crianças? É a preocupação dos médicos.

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