Na última semana, o presidente do Cidadania em Goiás, Gilvane Felipe, esteve em Brasília em reunião com o diretório nacional do partido. Em pauta, as eleições municipais. “Falta um ano ainda, as coisas ainda estão verdes”, desconversou. No entanto, como a legenda está em federação com PSDB, é obrigatório que o candidato tucano também seja o do Cidadania. “A chapa é única, mas a decisão será conjunta”, frisou o líder goiano da sigla.

No último pleito, o candidato a prefeito de Goiânia pelo Cidadania foi Virmondes Cruvinel (hoje deputado estadual pelo União Brasil). Mas, para a próxima eleição, o candidato deve apoiar o jornalista suplente de deputado federal, Matheus Ribeiro (PSDB), apesar da vereadora Aava Santiago (PSDB) ainda estar no páreo. E Gilvane, que disputou a Prefeitura em 2008 pelo PPS, tem defendido que se comece cedo essa articulação. “É importante que a nossa federação marque presença nesse pleito”, pontuou.

Mas enquanto as movimentações em Goiânia estão a todo no vapor, no interior, vereadores e lideranças reclamam que estão sem saber qual rumo a legenda irá tomar nas próximas eleições. “Hoje estamos sem líder”, afirmou um vereador de uma cidade goiana. “Eu mesmo não sei quem está na presidência”, revelou outro correligionário no estado.

Em fevereiro de 2020, o então vice-governador Lincoln Tejota trocava o PROS pelo Cidadania. Na época, o evento de filiação, com direito a chope e arroz carreteiro, recebeu caravanas de 50 municípios. No mesmo dia, foram registradas 327 novas filiações. E toda essa articulação deu resultado: nas últimas eleições, a legenda elegeu 115 vereadores em todo o Estado.

No entanto, pouco mais de dois anos depois, em abril de 2022, Tejota aceitou o convite do governador Ronaldo Caiado (UB) para migrar para o União Brasil, onde disputou e ganhou uma cadeira da Assembleia Legislativa. “Depois disso, o partido ficou meio partido”, comentou um parlamentar.

O presidente do Cidadania reconhece que há muitos municípios no interior com problemas de estruturação do partido. No entanto, ele garante que tem percorrido todo o Estado conversando com lideranças e renovando comissões provisórias. “São 246 municípios e cada um deles tem sua dinâmica política própria. Não há um sistema de comunicação eficiente o bastante que chegue principalmente nas cidades menores”, justificou.

A mudança na direção do partido ocorreu há pouco mais de ano. “Não faz tanto tempo assim”, ponderou Gilvane. E uma coisa é clara: “o Cidadania e o PSDB têm um posicionamento muito claro com relação ao Governo do Estado”, completou. Assim sendo, o correligionário que não tiver um trabalho coeso com o proposto pela sigla, pode ter problemas de viabilizar sua candidatura na legenda.

O Cidadania em Goiás, de acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), tem 16.428 filiados. E, apesar de ter pelo menos um representante do partido em cada município goiano, a capital concentra 11,27% dos filiados goianos: 1.852, no total.