O quadro para a sucessão municipal em Goiânia ainda se montando e a maioria dos partidos ainda não tem o que se chamaria de “candidato natural”, daquele tipo que os eventuais membros do diretório diriam “esse é o cara” ou “é ela e não tem pra ninguém!”.

Entre as siglas, há duas exceções: o Republicanos, obviamente, que tem em seus quadros o prefeito Rogério Cruz, que deve ser postulante à reeleição; e o PT, que reclamaria de barriga cheia se dissesse algo contrário. Afinal, o partido tem Adriana Accorsi, duas vezes candidata a prefeita (em 2016 e 2020, sempre com boas votações) e Edward Madureira, nome fortíssimo na capital por seu trabalho à frente da Universidade Federal de Goiás.

Ter postulantes de peso já pré-definidos dá vantagem no planejamento de campanha e pré-campanha.

Adriana, agora deputada federal das mais bem votadas, depois de dois mandatos com cadeira na Assembleia Legislativa, vem se esquivando da possibilidade, parecendo estar bastante focada no trabalho em Brasília. É um dos nomes petistas mais próximos de Luiz Inácio Lula da Silva – e ter um forte apoio do presidente da República não é nada desprezível.

É certo que até o começo da corrida eleitoral para valer, a deputada vai sofrer bastante pressão dos correligionários de sua tendência para colocar seu bloco na rua, até porque o risco é “zero”, já que continuará mantendo seu mandato. Seria, no mundo das apostas, o que se chama de “free bet”, uma aposta livre de perdas. E, de fato, como o mundo da política tem fila – e, na fila, tem mais poder quem tem mandato –, Adriana é a primeira opção.

Mas Edward está longe de ser um “reserva de luxo”. Muito bem votado na capital, ele conta também, no currículo, com o trunfo de 12 anos em um cargo executivo de primeira linha: os três mandatos como reitor de uma instituição federal de ensino superior. Mais do que isso, foi também presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) durante o difícil período (especialmente para as universidades) do governo Bolsonaro.

Justamente pela respeitável votação na capital, o ex-reitor certamente vai receber assédio para mudar de sigla e concorrer à Prefeitura por outros partidos, embora pareça improvável, no momento, que esse movimento possa ocorrer.

Como primeiro suplente da bancada federal do PT estadual – que conta, além de Adriana, também com o decano de Goiás na Câmara, Rubens Otoni –, Edward é sempre cotado para algum cargo nos principais escalões em Brasília. Já foi cotado para a Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação (MEC) e também para o Ministério da Ciência e Tecnologia. Mas ele mesmo entende que a conjuntura exige paciência e espaços para nomes de outros partidos, justamente pela necessidade de governabilidade que Lula enfrenta no momento.

O fato é que, com dois nomes desse porte para a disputa municipal, o PT goianiense precisa apenas azeitar a máquina e evitar os erros de campanhas anteriores para ter bom desempenho nas urnas. E se o governo Lula estiver em um bom momento no segundo semestre do próximo ano, a combinação para a vitória fica perfeita.