Cientistas e Mandetta dizem que coronavírus tem potencial de circulação no Brasil até setembro

Artigo frisa que isolamento vai acabar beneficiando a economia e faz críticas à Organização Mundial de Saúde

A “Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical” publicou um relatório técnico — escrito pelo ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e cientistas — que defende o isolamento social como modo de reduzir os casos de Covid-19. O texto frisa que as medidas de insulamento tendem a diminuir o impacto econômico por terem sido adotadas bem cedo.

O estudo admite que, apesar do isolamento — que está permitindo a organizando do setor médico para atender os doentes —, “o novo coronavírus poderá ter potencial de circulação na população brasileiro até setembro deste ano”, frisa “O Globo”. “Vários modelos matemáticos mostraram que o vírus estará potencialmente circulando até meados de setembro, com um pico importante de casos em abril e maio”, sublinham os autores do artigo.

Dada a previsão de que a pandemia se estenderá, por vários meses, Mandetta, Wanderson Oliveira e os pesquisadores que é crucial ampliar e qualificar a estrutura de saúde. “Assim existem preocupações quanto à disponibilidade de unidades de terapia intensiva (UTI) e ventiladores mecânicos necessários para pacientes hospitalizados com Covid-9, bem como a disponibilidade de testes diagnósticos específicos”, pontua o artigo.

Parte do empresariado declara que o isolamento, com o fechamento de setores do comércio e da indústria, prejudica a economia do país. Mas os pesquisadores apontam outra interpretação: “O isolamento social é uma medida que deve ser sugerida no início parda achatar a curva epidemiológica com o mínimo possível de impacto econômico”.

Luiz Henrique Mandetta: ministro da Saúde| Foto: Divulgação

O artigo admite que “o número de casos no Brasil está crescendo rapidamente”. Na terça-feira, 7, o número de mortes chegou 667 e 13.717 pessoas foram diagnosticas com o novo coronavírus. Os dados são posteriores à divulgação do relatório.

A Organização Mundial de Saúde demorou a qualificar o grau de ameaça da doença para todos os países. “É importante notar que, no entanto, que em 27 de janeiro a OMS admitiu um erro significativo associado ao risco global do Covid-19. Avaliação que, até três dias antes, era considerada moderada”, assinala o artigo dos pesquisadores brasileiros. Adiante, “a doença foi considerada de risco muito alto na China, enquanto em altos níveis regionais e globais”.

A demora, segundo os pesquisadores, “pode ter dificultado a mensuração da implementação de intervenções internacionais específicas em tempo hábil e pode ter resultado em um aumento no número de casos na China e na disseminação da doença para outros países, incluindo o Brasil”.

O estudo é assinado por Mandetta, pelo secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Wanderson Oliveira, Julio Croda e cientistas da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), da Fiocruz, da Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado e do Ministério da Saúde.

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