Carlesse puxa Eduardo Gomes pra baixo e contribui pra elevar popularidade de Ronaldo Dimas

O senador vai conseguir se livrar do “abraço de afogado” do governador? Talvez seja impossível. Já o ex-prefeito, como anti-Mauro Carlesse, vai ganhando pontos

Mauro Carlesse, governador do Tocantins, e Eduardo Gomes, senador: quem vai “afogar” quem?| Foto: Reprodução

O governo de Mauro Carlesse, no Tocantins, é “excelente”. Mas só na publicidade do governo e nas reportagens e notas plantadas em jornais regiamente remunerados pela Secretaria de Comunicação do Estado. Nas ruas, fora dos gabinetes da gestão do líder do PSL, a realidade é outra. Os eleitores abominam a administração de Carlesse e o político. Os mais sofisticados sustentam que o grupo do gestor “privatizou” o Estado. O que se planeja, a partir da eleição de 2022, é “devolver” o Tocantins para todos os tocantinenses (e para aqueles que, tendo nascido em outros Estados, escolheram o Tocantins para morar).

A gestão de Carlesse é tão “estranha” que, além dele, os dois secretários que realmente mandam — Sandro Henrique Armando (da Fazenda) e Claudinei Aparecido Quaresemin (conhecido como “poderoso-chefão”) — foram buscados em São Paulo. É como se o governador não acreditasse no povo do Tocantins e nos seus intelectuais (a Universidade Federal do Tocantins é de excelente qualidade, com professores-doutores em várias áreas).

O ex-deputado federal e ex-prefeito Ronaldo Dimas está dizendo, aos eleitores, que seu objetivo é reinventar o governo do Tocantins, devolvendo-o aos tocantinenses, por intermédio da desprivatização do Estado

Ronaldo Dimas: líder nas pesquisas | Foto: Reprodução

As pesquisas — todas — mostram que a rejeição de Carlesse é altíssima, talvez incontornável. Levantamento do Skala Instituto, feito em 67 municípios (juntos têm 838,6 mil eleitores), entre 8 e 22 de setembro deste ano, com 7.288 entrevistados, mostra que 50,7% dos eleitores desaprovam o governo de Carlesse. Apenas 29,3% o aprovam. E 20,1% não sabem. Para um político que está com a máquina nas mãos, governando de maneira autoritária e controlando a imprensa — que cede às suas pressões para sobreviver, o que é “compreensível” (ressalve-se que há excelentes jornais, portais e sites no Estado) —, a rejeição impressiona. É sinal de que o povo não tem receio de desaprová-lo e quer mostrar, inclusive, que não vai apoiar um candidato de seu “esquema” para governador.

O senador Eduardo Gomes (MDB), segundo aliados, vive um dilema. Ele quer o apoio de Carlesse, por causa da estrutura do governo — poder, dinheiro, cargos comissionados, pressões —, mas, ao mesmo tempo, sabe que não sobe nas pesquisas porque é avaliado, pelos eleitores, como “o” candidato do governador.

Professora Dorinha: líder para senadora | Foto: Reprodução

Na pesquisa do Skala, Eduardo Gomes aparece em segundo lugar, com 16,7%. A rigor, nem é um índice ruim. Mas, considerando a força da estrutura do senador — que conta com o apoio do presidente Jair Bolsonaro, que colocou o governo à sua disposição (foi favorecido até pelo suspeitíssimo “orçamento secreto”), e do governador Carlesse —, o número não é nada positivo. O líder na pesquisa (em todas outras, desde que sérias) é o ex-prefeito de Araguaína Ronaldo Dimas (Podemos), um engenheiro competente e apontado como ético. Ele tem 22,8%. É muito, porque sua estrutura é bem menor do que a do senador. Ele tem visitado várias cidades e seu principal “instrumento” de trabalho é a palavra. (O terceiro colocado é Paulo Mourão, do PT, com 10,8% — seguido de Edison Tabocão, com 7,2%, e Laurez Moreira, com 6,9%. Não sabem representam 18,8% e 16,8% não votariam em nenhum dos citados.

Ronaldo Dimas está dizendo, aos aliados e aos eleitores, que seu objetivo é reinventar o governo do Tocantins, devolvendo-o aos tocantinenses, por intermédio da desprivatização do Estado. Na pesquisa do Skala, o líder do Podemos lidera em todos os cenários. Num dos cenários, com ele na liderança (20,8%), há empate técnico entre Eduardo Gomes (15,6%) e o senador Irajá Silvestre (14,3%), do PSD. A margem de erro da pesquisa é de 3,5 pontos percentuais.

Marcelo Miranda: o ex-governador está no jogo | Foto: Divulgação

Na medida em que Carlesse puxa Eduardo Gomes para baixo, sugando sua popularidade, o governador também contribui, direta ou indiretamente, para elevar a popularidade de Ronaldo Dimas. O ex-prefeito e ex-deputado federal tem virtudes — a competência, a ética, compromisso com a sociedade, e não com grupos de lobistas profissionais (desses que furtam o Erário em qualquer governo) — mas o desgaste do governador é um de seus principais generais eleitorais.

A rejeição de Ronaldo Dimas é baixa (2,4%). A mais alta é a de Irajá Silvestre (10%).

Eduardo Gomes tem como se livrar do abraço do “afogado” Carlesse? Muito difícil. Porque, tentando se comportar como político matreiro e afável com todo mundo, o senador não se define. Todo mundo — até crianças de 5 anos — sabe que pretende disputar o governo do Tocantins, mas ele fica fingindo que “não” quer e que não é hora de abrir o jogo. Na verdade, ele pensa no assunto “apenas” 24 horas por dia. Estaria demorando a se apresentar como candidato porque reluta em dispensar o apoio de Carlesse? Não se sabe.

Há indícios de que a rejeição do governador do Tocantins, Mauro Carlesse (do Podemos), está cristalizada. É como se os eleitores estivessem esperando a sua hora, a do voto, para retirá-lo do poder — qualquer poder

Paulo Mourão: o nome do PT | Foto: reprodução

A prova de que Carlesse está em baixa é a pesquisa para senador. Apesar de ser governador e contar com o apoio de uma máquina poderosa — inclusive publicitária —, ele segue muito mal nas pesquisas.

Num cenário, a deputada federal Professora Dorinha (DEM) lidera, com 22,9%, seguida pelo ex-governador Marcelo Miranda (MDB), com 16,4%. Carlesse, o homem do sistema e da máquina, aparece em terceiro lugar, com 12,9%. A rigor, não é um número muito baixo. Porém, como se trata de um governador, que está no poder há anos, beira ao ridículo, quase vexatório. O ex-senador Ataídes Oliveira (Pros) aparece com 5,5%. O ex-prefeito de Gurupi Laurez Moreira (que é cotado para ser o vice de Ronaldo Dimas — unindo o Sul ao Norte) tem 5,2%. (Vale a ressalva: Ataídes tem dito que deve ser candidato a governador.)

Kátia Abreu: a senadora está bem posicionada| Foto: Divulgação

Num segundo cenário, com a entrada da senadora Kátia Abreu (17,5%), do Progressistas, Carlesse aparece em quarto lugar, com 10,9%. A Professora Dorinha permanece em primeiro lugar, com 18,3%. Marcelo Miranda é o terceiro colocado, com 13,5%. Ataídes Oliveira tem 4,9%. Laurez Moreira tem 4,5%.

As pesquisas não dizem que Carlesse está fora do jogo — até porque é o postulante que, na campanha, terá condições de movimentar mais recursos financeiros, o que, às vezes, faz a diferença. Mas há indícios de que sua rejeição está cristalizada. É como se os eleitores estivessem esperando a sua hora, a do voto, para retirá-lo do poder — qualquer poder.

Um repórter do Jornal Opção conversou, na semana passada, com um deputado do Tocantins. Ao término do diálogo, ele disse, a sério: “Mauro Carlesse é candidato em 2022. Sabe a quê? A derrotado”. Faz sentido, dados os números das pesquisas. Os eleitores estão criando, por moto próprio, uma espécie de Operação Limpeza.

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