Cardiologista Marcelo Queiroga é cotado para ser ministro da Saúde

Dr. Luisinho, tido como guru do Centrão na área médica, também tem sido citado. Mas Queiroga é mais prestigiado

O presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia, Marcelo Queiroga, é cotado para ser ministro da Saúde. Ele e o médico e deputado federal Luiz Antônio Teixeira (PP-RJ), o Dr. Luizinho. Este é ligado ao Centrão.

Queiroga, da Paraíba, mantém ligação pessoal com o presidente Jair Bolsonaro. “O presidente conhece o meu trabalho”, afirma. Além de ter integrado a equipe de Bolsonaro na fase de transição, foi nomeado, recentemente, para uma vaga na diretoria da Agência Nacional de Saúde Suplementar. Só não assumiu porque ainda não foi sabatinado pelo Senado.

Numa entrevista à “Folha de S. Paulo”, Queiroga, de 55 anos, afirma que “a Covid-19 afeta não só o doente em si, mas todo o sistema de saúde” (síntese de seu pensamento feita pelo jornal). “É uma doença da atenção primária, mas, sobretudo, exige tratamento mais especializado. Ou seja: a Covid demanda todo o sistema”, diz o cardiologista.

Jair Bolsonaro, presidente da República, e Marcelo Queiroga, presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia | Foto: Divulgação

Queiroga frisa que é fundamental acelerar o programa de imunização em todo o país — o que fará cair a pressão sobres os hospitais. “Mais vacinados, menos doentes”, sumariza. “Basta colocarmos em prática tudo o que a ciência já nos mostrou que funciona.”

Sobre o uso de cloroquina, Queiroga é peremptório: não defende o seu uso. “A própria Sociedade Brasileira de Cardiologia não recomendou o uso dela nos pacientes. E nem sou favorável porque não há consenso na comunidade científica.” Aliás, se há um consenso é que a cloroquina não é apropriada para tratar pacientes com Covid-19.

Provando que não comunga com ideais bolsonaristas, Queiroga fortaleceu a presença de mulheres no comando da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Das dez posições de mando quatro são ocupadas por mulheres. Ludhmila Hajjar é uma das diretoras. “Eu a escolhi pela sua competência. E eu a destaquei para falar em nome da entidade sobre a Covid-19”, diz o presidente da instituição.

Ao finalizar a entrevista, Queiroga, exibindo alma de poeta, disse ao repórter Dhiego Maia, da “Folha”: “Deixa eu desligar o telefone para acabar de ver o mar e ouvir a minha esposa. Ela tem conselhos ótimos”.

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