O presidente Jair Bolsonaro (PL) tem um grave defeito político: prega para os “convertidos” e não agrega forças novas, o que, do ponto de vista eleitoral, representa um grande prejuízo. O resultado é a dificuldade no enfrentamento de políticos que sabem conquistar apoios novos.

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), diferentemente de Bolsonaro, é um agregador nato.

Ronaldo Caiado acabou de se reeleger, com uma votação expressiva — quase 52% dos votos (o segundo colocado teve 25%) — e, por isso, poderia ficar apenas comemorando. Porém, se fizesse isto, seria um político comum. Como é incomum, reabriu novas articulações políticas.

O governador goiano já está dialogando com integrantes de proa das forças que lhe fizeram oposição na disputa eleitoral deste ano. O senador eleito Wilder Morais, do PL, já se apresenta como aliado de Ronaldo Caiado.

Na semana passada, o governador conversou com o prefeito de Aparecida de Goiânia, Vilmar Mariano, e com o deputado estadual eleito Vater Martins, ambos do Patriota.

Não se trata de conchavos políticos. Ronaldo Caiado, como governador, quer ajudar Vilmar Mariano a viabilizar o desenvolvimento de Aparecida de Goiânia — município cada vez mais avançado. O desenvolvimento da cidade, que conta com um grande distrito industrial e tem a segunda maior população de Goiás — perdendo apenas para a capital —, será positivo para a expansão da economia do Estado. O gestor estadual tem uma visão ampla e conectada tanto da economia quanto da política. O crescimento econômico é integrado e, por isso, depende de todos os municípios, sobretudo daqueles que “puxam” o avanço, como Goiânia, Aparecida, Anápolis, Rio Verde e Luziânia. (A imprensa destaca pouco um outro fato: Ronaldo Caiado está buscando desenvolver todas as regiões de Goiás, com o objetivo de democratizar a qualidade de vida de todos os goianos.)

Os deputados federais Magda Mofatto e Professor Alcides, ambos do PL, também devem abrir conversações com Ronaldo Caiado, brevemente. Professor Alcides, por sinal, é ligado ao prefeito Vilmar Mariano. Gustavo Mendanha também deverá conversar com o gestor estadual. Ele perdeu a eleição, mas não deixa de ser uma revelação política de Goiás.

O governador tem dois projetos políticos para 2026. Primeiro, pode deixar o governo, em abril daquele ano, para disputar mandato de senador. Segundo, pode ser candidato a presidente da República. Com sua perspicácia habitual, Ronaldo Caiado sabe que há um forte eleitorado de centro-direita no país. Portanto, na próxima disputa, os liberais podem bancar um presidenciável que seja de centro-direita, para representar o espectro da direita, mas com um discurso agregador e civilizado, o que poderá atrair novas forças políticas. Há um contingente eleitoral no Brasil que não aprecia Lula da Silva, do PT, mas também rejeitar em Bolsonaro. Até, por vezes, escolhe votar em um deles — por falta de alternativa, ou seja, de uma terceira via —, mas a contragosto.

Para agregar nacionalmente, Ronaldo Caiado sabe que primeiro precisa agregar em casa. Por isso, vai ampliar sua aliança em Goiás e, em seguida, vai circular, com mais desenvoltura, na política nacional.

A diferença entre Bolsonaro e Ronaldo Caiado é que, no poder, o goiano poderia ter se tornado uma espécie de Carlos Lacerda (político radical que militou entre as décadas de 1940 e 1960 no Brasil, até ser cassado pelos militares da ditadura civil-militar que havia apoiado). Pelo contrário, se tornou um seguidor muito mais de Juscelino Kubitschek e Tancredo Neves, políticos conciliadores e moderados. Ter conhecimento e formação intelectual adequada, o que gera discernimento racional preciso, são diferenciais fundamentais. E o Brasil precisa disso.