Candidaturas de Iris Rezende e de Antônio Gomide reduzem a força de Marconi Perillo em Goiânia e em Anápolis

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Iris Rezende: se não disputar o governo de Goiás em 5 de outubro deste ano, pode assistir a vitória de Marconi Perillo em Goiânia

Na sexta-feira, 11, o Jornal Opção colheu dois comentários interessantes. Primeiro: “Se Iris Rezende não for candidato a governador, o governador Mar­coni Perillo será o mais bem votado em Goiânia”. Segundo: “Se Antônio Gomide não for candidato a governador, o governador Marconi Perillo será o mais bem votado em Anápolis”. Os comentários foram formulados, em locais diferentes, por um peemedebista e por um petista. O que eles querem dizer? Mais do que está dito. Tentemos retirar a “vestimenta” das palavras.

Em 2010, Anápolis foi crucial para a vitória de Marconi para o governo do Estado. Sem sua força na cidade, possivelmente teria perdido a eleição. O município se tornou uma espécie de cova do peemedebismo — assim como a Itumbiara de José Gomes da Rocha. Costuma-se dizer: “Antônio Gomide, do PT, não trabalhou para Iris”. Papo furado. Trabalhou, sim, e muito. Mas o eleitorado de Anápolis, um dos mais politizados de Goiás, tem uma característica que o distingue: não é, no geral, adepto da transferência de voto. Adora Gomide, mas não vota necessariamente no candidato apoiado pelo petista. Porém, num confronto direto com Marconi, é possível que Gomide o supere. Então, sua candidatura, se confirmada, reduz a força local do tucano-chefe — que, habilidoso, já está procurando conquistar espaço noutras paragens, como Goiânia (onde, curiosamente, Paulo Garcia não está transferindo intenção de voto para o companheiro de partido). Pode-se dizer, por fim, que Anápolis tem duas paixões políticas: Gomide — que todos chamam, na cidade, de Antônio Roberto — e Marconi

No caso de Goiânia, se Júnior Friboi for o candidato, o PMDB perde densidade, porque o eleitorado da capital, autônomo e, às vezes, rebelde, também é avesso à ideia de transferência de voto. Se perder Anápolis, na possibilidade de Gomide disputar o governo, Marconi vai tentar compensar com Goiânia, em especial se Iris estiver fora do páreo. Friboi, se permanecer fragilizado nas duas cidades mais importantes de Goiás — ele está tentando compensar com forte apoio em Aparecida de Goiânia e no Sudoeste de Goiás, além do Entorno de Brasília —, corre o risco, se candidato, de não ir para o segundo turno. Pode ser superado por Gomide ou Vanderlan Cardoso, do PSB, que tem presença sólida na Grande Goiânia.

Se a presidente Dilma Rousseff cair ainda mais nas pesquisas de intenção de voto, o PT goiano tende a desidratar-se. Ao mesmo tempo, o PMDB pode crescer e, para apoiar a petista, deve fazer algumas exigências. Por exemplo forçar o PT nacional a enquadrar o PT goiano. Isto, no momento, está de fora de cogitação — até porque, se Dilma cair muito, Lula pode ser candidato a presidente — mas, adiante, não se sabe.

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