Candidatura de Henrique Meirelles pode detonar base política do governo de Michel Temer

O PMDB está nas mãos do presidente mas o presidente está nas mãos do PSDB. Um afastamento do tucanato pode levar à queda de Michel Temer

Candidatura de Henrique Meirelles pode ser benéfica para ele e para o PSD, mas prejudica a base de sustentação do presidente Michel Temer no Congresso Nacional. Impeachment à vista

O PSD pretende bancar o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, para a Presidência da República em 2018. Trata-se de um homem público tecnicamente consistente, resta saber se será um candidato a presidente eleitoralmente consistente. Se a economia crescer de fato, como os dados anunciam, poderá se apresentar como o político que, não sendo político tradicional — trata-se de um tecnocrata, um chicago-old — recuperou o país depois da debacle petista. É o lado bom. Mas há outro lado que não parece tão róseo.

O presidente Michel Te­mer precisa de Henrique Mei­relles — que é a cara da eficiência e da, digamos, governança ética de sua gestão —, mas, sem base política sólida no Congresso Nacional, não terá como governar e, mais, poderá até mesmo sofrer impeachment. O PMDB está nas mãos de Michel Temer mas o presidente está nas mãos do PSDB. Portanto, se confirmada a candidatura de Henrique Meirelles — que pode estar sendo impulsionada, nos bastidores, pelo peemedebista-chefe —, o PSDB, que terá candidato a presidente (Geraldo Alckmin, João Doria ou Marconi Perillo, que poderá ser o tertius), pode se distanciar do governo, abrindo as portas para uma crise po­lítica que ninguém sabe co­mo terminará. É provável que a salvação de Michel Temer advirá, se ocorrer, de um possível apoio a uma candidatura presidencial do tucanato.

Henrique Meirelles aceitaria ser vice de Geraldo Alckmin ou de João Doria? Seria um bom começo, pois o engenheiro de Anápolis que foi presidente global do BankBoston não tem presença política nacional e nenhuma experiência parlamentar (o que prejudicou, em larga medida, a ex-presidente Dilma Rousseff). Mas quem conhece o ministro da Fazenda sugere que, vaidoso ao estilo pavão, só aceitará disputar a Presidência da República. Vice seria um “rebaixamento”.

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