Entre mortos e feridos, salvaram-se todos. Pronunciando esse um provérbio já antigo, que mais parece um paradoxo (se morreram ou foram feridos, o conceito de “salvação” se aplica, realmente?), significa que a pessoa quer dizer, em um português mais direto, que a coisa não foi tão ruim quanto parecia que seria.

Às vésperas das eleições mais tensas que o Brasil já viveu, entre os dois candidatos mais carismáticos da história brasileira pelo menos dos últimos 60 anos, em clima de polarização absoluta, felizmente a previsão de bangue-bangues generalizados pelo País não se concretizou. É bem verdade que a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) correu de arma em punho atrás de um homem negro que a teria ofendido e que um tiro foi disparado para cima (por um policial à paisana, assessor dela). Mas até nisso se pode dizer, para resumir a quadra que vivemos até o momento (sábado, 30): foi só um susto. Bizarro, mas susto e não tragédia.

A morte do petista Marcelo Arruda, em julho, assassinado em Foz do Iguaçu (PR) por um fanático bolsonarista, o policial penal Jorge Guaranho, enquanto comemorava seu aniversário, parecia ser um prenúncio de coisas muitos ruins. Houve ainda outras agressões, atentados e mesmo homicídios a partir de então, com suspeita de terem como causa a rixa política, mas foram fatos isolados.

À exceção do episódio patético-que-poderia-ser-trágico protagonizado pela parlamentar bolsonarista, o fim da campanha proporcionou imagens bonitas por todo o País, com carreatas de ambos os candidatos colorindo as ruas e pessoas agitando bandeiras.

Pareceu até uma eleição normal, apesar de tudo. Que seja isso prenúncio de uma nova e mais saudável forma de convivência das pessoas com suas diferenças políticas.