As ruas da capital foram surpreendidas na semana passada com um caminhão de limpeza urbana. Na verdade, ver um desses veículos circulando pela capital tem sido raridade tanto quando encontrar uma lixeira desocupada, dada a crise que expõe a própria administração municipal.

Mas o veículo “surpreendeu” em outro sentido. É que estava plotado com os dizeres “Gabinete Móvel do Povo” e estava a serviço do deputado Clécio Alves (Republicanos). Vereador por seis mandatos, ele chegou a ser prefeito de Goiânia por alguns dias entre 2010 e 2012, durante o primeiro mandato de Paulo Garcia (PT), que havia assumido a Prefeitura após renúncia de Iris Rezende (MDB) para disputar o governo de Goiás.

Apesar de não esconder seu sonho de ser prefeito de Goiânia, Clécio apoia a gestão de seu correligionário, o prefeito Rogério Cruz.

No entanto, extrapolar sua função de parlamentar para literalmente rodar com um caminhão coletor de lixo pela cidade vai além da atitude obviamente populista: não tem como tomar a iniciativa de “usurpar” o serviço de responsabilidade de uma empresa do município, a Comurg, sem que disso não se depreenda uma crítica à própria Prefeitura. Pode não ser intencional? Pode. Mas o que vale, na política, é o que parece ser e não o que é.

Bom marqueteiro de si mesmo, Clécio Alves “surfou” na onda mesmo quando foi denunciado ao Ministério Público por seu polêmico caminhão. Aproveitou para chamar de “vermes” os que o criticaram e levaram seu nome ao órgão fiscalizador. E, por fim, fez um anúncio no vídeo que levou às redes sociais: “Quem quer comprar um caminhão?”. (E.D.)