Caiado precisa explicar crise na saúde de Goiânia, viagens de Adib e gastos na campanha de 2014

 O senador recebeu dinheiro da Odebrecht, da OAS e de Natalino Bertin. Quem paga avião que transporta o prefeito de Catalão?

Foto: Pedro França/Agência Senado

O senador Ronaldo Caiado, pré-candidato a governador de Goiás pelo DEM, é, antes que se prove o contrário, um político decente. Até agora, não há nada que o desabone. Entretanto, na sua fase Caiadinho Paz e Amor — supostamente orientada por um marqueteiro da Bahia —, o presidente do partido Democratas está “fugindo” da imprensa e de alguns esclarecimentos que se fazem necessários. Apontemos uma lista mínima:

1 — O prefeito de Catalão, Adib Elias (quase-fora do MDB), afirma que Maguito Vilela mandava buscá-lo de “velocípede” e que Ronaldo Caiado o trata melhor, pois manda buscá-lo de avião.

Adib Elias, prefeito de Catalão pelo PMDB | Foto: Y. Maeda

Se o que Adib Elias está dizendo for verdade, Ronaldo Caiado precisa explicar:

A — Por que razão manda buscar o prefeito de Catalão?

B — Quem paga as viagens de avião de Adib Elias? É o senador? Quanto já gastou até hoje?

C — De quem é o avião que transporta o felicíssimo Adib Elias? É de Ronaldo Caiado? É de políticos, como Wilder Morais e José Nelto (que tem um avião em sociedade com o prefeito de Goianira, o tucano Carlão da Fox), ou de empresários?

D — Vai declarar o que em Catalão os tucanos e emedebistas chamam de “Custo Adib” em sua prestação de contas eleitorais? (Frise-se que, a rigor, ainda não existe uma campanha eleitoral, o que, por si, o desobriga da declaração do custo “eleitoral” das viagens do prefeito.)

2 — Ronaldo Caiado tem o direito de criticar seus adversários e apontar possíveis falhas na administração pública do Estado. Afinal, é um senador e, como tal, é representante do povo, da sociedade. Porém, como se considera um político justo e equilibrado, o presidente do DEM tem o dever de examinar a gestão do prefeito de Goiânia, Iris Rezende (MDB), que ajudou a eleger, em 2016.

Iris Rezende faz uma gestão caótica na área de saúde em Goiânia. Por que Ronaldo Caiado não faz uma análise criteriosa sobre o assunto?

Médicos, vereadores e até aliados de Ronaldo Caiado, como o deputado Waldir Soares, apontam que a gestão de Iris Rezende é uma das mais caóticas da história de Goiânia. Assistência às pessoas pobres, que não tem plano de saúde, é uma das piores do país. Mas, até agora, o senador do DEM não fez um comentário sobre o assunto. Nem os médicos entendem sua omissão. Aliados como Zacharias Calil e Salomão Souza, médicos respeitados pela categoria, por certo não aprovam a gestão do emedebista na área de saúde. Eles, por sinal, apoiam o líder do Democratas para governador.

Se Ronaldo Caiado não avaliar a gestão de Iris Rezende — e, sim, até mesmo para defendê-la —, os eleitores de Goiânia certamente concluirão que as críticas que faz ao governo do Estado são meramente políticas e eleitoreiras, quer dizer, suas preocupações com os indivíduos seriam genuínas.

Marcelo Odebrecht, da Construtora Odebrecht, repassou dinheiro para o Diretório Nacional do DEM, que repassou parte para Ronaldo Caiado

3 — Como tem assinalado o vereador Jorge Kajuru (PRP), inclusive em entrevista a programa de televisão, Ronaldo Caiado até agora não explicou por que, na campanha de 2014, recebeu dinheiro das empreiteiras OAS e Odebrecht para sua campanha a senador. O democrata pode argumentar que se trata de recursos financeiros enviados pelo Diretório Nacional do DEM. O que é fato. Mas por que aceitou o dinheiro, considerando que é um dos apoiadores da Operação Lava Jato? Não se sabe. O senador precisa explicar aos eleitores por qual motivo aceitou dinheiro, ainda que modo indireto, de empresas investigadas pela Operação Lavo Jato. O juiz Sergio Moro, de Curitiba, examinou centenas de documentos com informações sobre falcatruas de tais construtoras.

Há outra informação que só Ronaldo Caiado pode esclarecer. A mulher de um dos sócios da OAS repassou dinheiro diretamente para a campanha do senador, em 2014, sem intermediação do Diretório Nacional do DEM. Por que Maria Paula Lanat Suarez, empresária da Bahia, “decidiu investir quase meio milhão de reais na campanha de um político de Goiás? É uma explicação que, até agora, nem Maria Paula nem o senador apresentaram à sociedade” (trecho de um editorial do Jornal Opção, publicado na edição de 3 de junho deste ano). Aparentemente, não há nada de irregular. Mas o senador precisa esclarecer a questão.

Natalino Bertin, do Grupo Bertin: por que o empresário deu 500 mil reais (segundo a revista Veja) ou 200 mil reais (segundo o senador) para a campanha de Ronaldo Caiado em 2010?

Já na campanha de 2010, quando foi eleito deputado federal, Ronaldo Caiado recebeu dinheiro do empresário Natalino Bertin, na época sócio de José Carlos Bumlai, o ex-primeiro amigo de Lula da Silva.

O repórter Robson Bonin publicou, na “Veja”, que o Grupo Bertin repassou, por intermédio das empresas Macleny Distribuidora e Orchiade, 500 mil reais para a campanha de Ronaldo Caiado em 2010. O senador explicou à revista que recebeu “apenas” 200 mil reais. Como o Jornal Opção sugeriu num Editorial, “por que o então deputado federal do DEM não recusou a doação do frigorífico (ele, por sinal, notabilizou-se como crítico da cartelização dos frigoríficos)? A nota enviada pelo político goiano à publicação do Grupo Abril não explicita nada além do fato de que recebeu dinheiro, mas não o valor de meio milhão de reais”.

Um homem público, como o senador Ronaldo Caiado — cuja fama, propalada sobretudo por ele, é de honesto —, tem de se manifestar a respeito de assuntos que interessam à sociedade. Portanto, as portas e as páginas do jornal estão abertas para que se explique de maneira transparente e detalhada.

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