A morte do senador Major Olímpio reduz a resistência ao presidente e o PSL pode abrigá-lo para a disputa de 2022

O Brasil é um país republicano, mas o presidente Jair Bolsonaro é o rei do flerte político. Ele está namorando o Patriota, o Partido da Mulher Brasileira (PMB), o PSC e até o ex, quer dizer, o PSL. Mas, noivo de tantos, com quem vai mesmo se casar?

Jair Bolsonaro e Luciano Bivar: os políticos voltaram a conversar| Foto: Reprodução

O presidente do Patriota em Goiás, empresário Jorcelino Braga, afirma que Bolsonaro dialogou com os líderes do partido. Depois as conversações não avançaram.

O fato é que Bolsonaro quer um partido pra chamar de seu. O presidente exige controle absoluto, ou seja, mandar nos diretórios estaduais e no fundo eleitoral e no fundo partidário. O que não será muito fácil. Porque os partidos, a rigor, já têm “donos”. No caso do PMB, Bolsonaro sugeriu inclusive a mudança do nome, quiçá para Aliança Pelo Brasil.

As conversas de Bolsonaro com os partidos com os quais está namorando são como a vacinação no Brasil: estão sempre engatinhando. O busílis da questão é que o presidente exige controle total.

Jorcelino Braga: Patriota abriu as portas para Bolsonaro | Foto: Reprodução

Na semana passada, um líder partidário disse ao Jornal Opção: “Dado o desgaste de Bolsonaro, daqui a pouco os chefes dos partidos vão começar a fugir dele. Se até o Centrão está preocupado, daí ter exigido a troca do ministro da Saúde, imagine aqueles que controlam os partidos”.

Depois de conversar com Jorcelino Braga e o líder partidário que não quis ser nomeado na reportagem, o Jornal Opção ouviu o presidente do PSL em Goiás, deputado federal Delegado Waldir Soares — que, na disputa eleitoral de 2018, obteve quase 10% dos votos dos eleitores goianos e pretende disputar mandato de senador em 2022.

Delegado Waldir é ligado ao presidente nacional do PSL, Luciano Bivar, de quem é amigo. Por isso, sabe das coisas.

Delegado Waldir Soares, presidente do PSL em Goiás: “Bolsonaro vai admitir que errou nas críticas aos dirigentes do PSL?” | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

“Com a volta de Lula da Silva ao cenário político, tornado elegível por decisão do Supremo Tribunal Federal, Bolsonaro não irá mais se filiar ao Partido da Mulher Brasileira. Sabe por quê? Simplesmente porque o PMB não tem tempo de televisão e fundos financeiros para bancar uma campanha nacional de um candidato a presidente da República. Em 2022, ao passo que terá desgaste, por ser presidente e não ter atendido demandas cruciais da sociedade, Bolsonaro não terá o Lava Jato para defender e, sem querer ser macabro, não receberá uma segunda facada. Então, premido pelas circunstâncias, a tendência é que o presidente procure para se filiar um partido mais forte”, afirma Delegado Waldir.

“Bolsonaro, se quiser competir de igual para igual com um peso-pesado como Lula da Silva e o principal candidato do centro, vai precisar de tempo de televisão, estrutura partidária em todo o país e fundos eleitorais. PMB, Patriota e PSC não têm, nem mesmo juntos, a estrutura do PSL. Os partidos maiores e tradicionais não aceitam a filiação dele, ante seu grau de exigência”, anota Delegado Waldir.

O vice-presidente nacional do PSL, Antônio Ruedas, mantém interlocução com Bolsonaro. “De fato, Ruedes dialoga com o presidente. E Bolsonaro tem falado com Luciano Bivar. Mas Bivar afirma que qualquer projeto comum dele com o PSL passa pelos deputados federais. É preciso verificar se será vantajoso bancá-lo para um segundo mandato. Politicamente, há vantagens para o partido? Sim, pode contribuir para eleger mais deputados federais — o que fortalecerá a legenda. Mas vale perguntar: qual será o desgaste de Bolsonaro em 2022? Sua base eleitoral hoje não passa de 15%. Nós temos outras opções eleitorais”, assinala Delegado Waldir.

Delegado Waldir admite que “o diálogo é real, está acontecendo. Bolsonaro quer, de fato, voltar para o PSL. Mas quais são as condições que exige para disputar a reeleição pelo partido? O PSL vai se submeter aos seus ditames? O que posso dizer, por conhecer os homens da cúpula, da qual faço parte, é que o PSL não aceita que Bolsonaro volte como ‘dono’ do partido”. O presidente não precisa chegar como soldado, mas não também não será aceito como general de exército.

O parlamentar pergunta: “Bolsonaro está ‘arrependido’ de ter saído do PSL? As acusações que fez ao partido se provaram infundadas. Ele estava errado, e nós, certos”.

O Jornal Opção apurou em Brasília que a morte do senador Major Olímpio pode facilitar a refiliação de Bolsonaro ao PSL. O político de São Paulo resistia à filiação do presidente e havia chegado a ameaçar deixar o partido se isto acontecesse. Agora, as resistências são mínimas.