Bolsonaro e Lula são favoritos, mas, eleitos, terão como “dobrar” o Congresso?

No caso de opção pela moderação, crescem as chances de Geraldo Alckmin e Henrique Meirelles

Lula da Silva e Jair Bolsonaro são favoritos, mas, se o país optar pela moderação, Henrique Meirelles e Geraldo Alckmin podem crescer eleitoralmente

Em 1989, na disputa pela Presidência da República, o Brasil dividiu-se entre Fernando Collor, do PRN, e Lula da Silva, do PT. Era a direita, bancada pelo empresariado e pela mídia — o Grupo Globo na linha de frente, apostando no Caçador de Marajás —, e a esquerda, que, na época, “assustava”. Depois de uma campanha sórdida, o “colorido” derrotou o petista e, em 1992, sofreu impeachment sob acusação de corrupção.

Vinte e oito anos depois, a história está se repetindo — não se sabe se como farsa ou tragédia, ou as duas coisas. O Fernando Collor da hora é o deputado federal Jair Bolsonaro e seu adversário é, mais uma vez, o indefectível Lula da Silva.

É provável que, no frigir dos ovos, o país faça opção por um candidato a presidente mais moderado — como Geraldo Alckmin, do PSDB, ou Henrique Meirelles, do PSD. Luciano Huck, apesar de agradar parte da mídia, notadamente à turma da Globo, não chega a ser “incrível”. É uma espécie de João Doria da televisão ou um Silvio Santos remoçado.

Porém, enquanto não se chega ao tempo do frigir dos ovos, o que se tem, segundo as pesquisas de intenção de votos, é uma competição entre um populista de direita, Jair Bolsonaro — um Fernando Collor sem a experiência de Fernando Collor (quando se elegeu presidente, já havia sido prefeito de Maceió e governador de Alagoas) —, e um populista de esquerda, Lula da Silva. Os dois se “puxam” e se “atraem”. São democratas, é certo, mas com matizes autoritários. Os políticos sabem que os extremos se tocam.

Sublinhe-se que, do ponto de vista dos eleitores — retirados os ideológicos, que são poucos, apesar de barulhentos —, não há qualquer interesse na discussão ideológica.

Lula da Silva vale, para a maioria dos que o apoiam, pelos programas sociais (o dito dos eleitores de Adhemar de Barros persiste “válido”: “rouba mas faz”) e pelo período de bonança (consumo farto) de seu governo. Num país no qual não há “identificação” entre políticos e povão, o petista destoa. Do ponto de vista do povão, ele é um dos “nossos”. “Gente como a gente.” É possível, até, que as pesquisas não estejam registrando com precisão o “voto” de Lula. Não há manipulação, mas o eleitor do petista, envergonhado ou constrangido, às vezes tem receio de se manifestar.

Jair Bolsonaro atrai o voto daqueles que rejeitam Lula da Silva e postulam que a ética é crucial na política. O eleitorado do deputado federal acredita na sua retidão moral. Não só. A pauta conservadora, em termos de comportamento — mais do que de receituário econômico —, agrada parte significativa dos eleitores. Os que apoiam o militar são aqueles que, tendo desistido de todos os políticos, acreditam que se trata da salvação da lavoura.

É provável que — mais do que Henrique Meirelles e Geraldo Alckmin — Lula da Silva e Jair Bolsonaro, qualquer um deles que for eleito, terá extrema dificuldade para governar, tal a (possível) resistência na Câmara dos Deputados e do Senado. Por mais que sejam diferentes, o petista e o militar têm “cheiro” de Fernando Collor e, sim, Dilma Rousseff.

6 respostas para “Bolsonaro e Lula são favoritos, mas, eleitos, terão como “dobrar” o Congresso?”

  1. Avatar Ricardo Dias disse:

    Mais um veículo da mídia tentando retratar Lula como extremista. O cara foi presidente 8 anos, o mais popular da história, construiu grandes alianças em torno do seu projeto e agora não vai conseguir governar? Tão parecendo a deputada Cristiane Brasil, que já anunciou o golpe se Lula ganhar. Guess what? Vão ter que engolir o Lulinha!

    • Avatar Adriano Rocha disse:

      Uma coisa é certa… Não dá pra colocar o meliante, ops o candidato Lula como mocinho bondoso… Ele é corrupto e corruptor de pessoas em benefício próprio.

    • Avatar Francisco disse:

      Só que agora todos nós sabemos as manhas e artimanhas do Nine e ele não vai poder repetir abertamente os crimes de lesa patria que cometeu.

      • Avatar Ricardo Dias disse:

        3 anos que Sérgio Moro tenta pegar o Lula e quando condena não leva em consideração a acusação do MPF, tira provas da cabeça. Eduardo Cunha, Geddel, Aécio caíram na primeira investigação. Acho que vcs não tão acompanhando as pesquisas, mas Lula é líder isolado em todas. Vão ter que engolir, a não ser que deem outro golpe e tirem ele da disputa no tapetão. Mas ai não tem problema tbm, ele apoia outro candidato e ganha a eleição mais fácil ainda.

  2. Avatar Renne Bueno disse:

    Está na hora de endireitar o nosso país. Chega de mentiras, manipulações, corrupção e criminalidade com PT, PMDB, PP, PSDB e companhia. Não acredito em salvador da pátria, mas Bolsonaro é o que melhor representa a mudança que necessitamos neste momento. Que ele tenha sabedoria para montar uma boa equipe. Além de Bolsonaro, precisamos renovar nosso congresso. Vamos votar direito!

  3. Avatar BRASILEIRO disse:

    DIFERENTE DE COLLOR BOLSONARO TEM COMO INIMIGOS A MIDIA E A MAIORIA DO CONGRESSO. CONSEGUE BONS INDICES NAS PESQUISAS PQ TENTAM LHE CHAMAR DE TUDO MENOS DE CORRUPTO
    B|

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