Bolsonaro e Caiado podem armar frentão em Goiás contra Lula e Marconi

O presidente precisa do apoio de Ronaldo Caiado e do União Brasil para impedir que o petista seja eleito no primeiro turno

O ex-governador Marconi Perillo — e não José Eliton (vale lembrar que, estando no governo, disputou a reeleição, em 2018, e ficou em terceiro lugar, com uma votação bisonha — 407.507 votos, ou seja, 13,73% dos votos válidos) — é quem está operando a construção de uma frente política pró-Lula da Silva em Goiás.

Como é filiado ao PSDB, que tem candidato a presidente da República, o “cristianizável” João Doria, Perillo optou por deslocar um agregado, José Eliton, para o PSB, com o objetivo de criar um palanque mais robusto para Lula da Silva em Goiás.

Portanto, e talvez o bolsonaristas não estejam entendendo o recado da realidade, o principal adversário do presidente Jair Bolsonaro em Goiás é Perillo, e não o governador Ronaldo Caiado.

Por isso, quando os ânimos estiverem menos exaltados, a partir do esclarecimento amplo de quem ficará com quem, a tendência é que o bolsonarismo desvie sua artilharia para a aliança PT+PSB e +, ainda no armário, PSDB, ou seja, Perillo.

Se Perillo joga com Lula da Silva, envolvendo José Eliton (PSB), Rubens Otoni, Adriana Accorsi e Wolmir Amado, os três últimos do PT, há a possibilidade de outros grupos se unirem para enfrentar a frente política de centro-esquerda que está sendo constituída.

Ronaldo Caiado, governador de Goiás, e Jair Bolsonaro, presidente da República: o realismo político sugere que devem caminhar juntos em 2022 | Foto: Reprodução

As pesquisas de intenção de voto mostram Bolsonaro em ascensão, mas ainda não é um crescimento consistente. Persiste a possibilidade de Lula da Silva liquidar a fatura no primeiro turno. Portanto, antes mesmo de pensar em superar o postulante do PT, o presidente tem de criar saídas para levar o pleito para o segundo turno.

Bolsonaro precisa de apoio em todos os Estados, sobretudo naqueles em que os pré-candidatos a governador mais consistentes não são de esquerda e não terão como embarcar na arca de Noé de Lula da Silva. Trata-se do caso de Goiás.

Assim como Bolsonaro, Ronaldo Caiado é de direita — liberal, esclarecido, civilizado — e não tem como apoiar Lula da Silva no primeiro e no segundo turno. Porque, se o fizesse, estaria indo contra toda a sua história de decência e linearidade política.

Porém, se não apoiará Lula da Silva, dependendo da reação do bolsonarismo — que o tem atacado, como em Rio Verde recentemente, quando um grupo foi colocado, de maneira estratégica, para vaiá-lo e, assim, criar um coro de apupos aparentemente espontâneos (quando, a rigor, não o foram) —, Ronaldo Caiado poderá ficar “neutro”, se omitindo.

Omitir não faz parte da tradição de Ronaldo Caiado. Portanto, o mais certo é que, a partir de determinado momento, com os ânimos mais contidos, se forme uma aliança de centro-direita para enfrentar a frente de centro-esquerda liderada por Lula da Silva, Perillo, José Eliton e Rubens Otoni em Goiás.

Quem faria parte deste frentão de centro-direita? Por certo, Ronaldo Caiado, Major Vitor Hugo, Vanderlan Cardoso, Vilmar Rocha, Wilder Morais, entre outros (talvez até Gustavo Mendanha adira à esta frente política). Afinal, uma vitória de Bolsonaro pode ser muito mais difícil do que a de Ronaldo Caiado. O bom senso, que às vezes é bem distribuído, sobretudo nos momentos chaves, certamente levará o bolsonarismo a entender que o governador de Goiás não é o “adversário” ou “inimigo-chave” de Bolsonaro.

Em algum momento, portanto, o projeto estadual do bolsonarismo pode ser sacrificado em prol do projeto nacional de Bolsonaro. É o que sugerem a lógica e a razão. Política, a do real, não é para amadores… e Ronaldo Caiado e Bolsonaro são, diria Max Weber, políticos profissionais. Mas o presidente está cercado por amadores que, deliciados com os aplausos passionais das redes sociais, fingem que são profissionais. Pode um político profissional não perceber quem é o rival maior de Bolsonaro?

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