Bolsonaro deve bancar Flávia Arruda contra Ibaneis Rocha, que está desgastado

O governador estaria sugerindo que tem o apoio do presidente. Mas não é o que se diz no Palácio do Planalto

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, do MDB, estaria dizendo que a ministra-secretária de Governo, Flávia Arruda, do PL, não será candidata a governadora. No máximo, irá a vice-governadora ou senadora. O ex-governador José Roberto Arruda, marido da deputada federal licenciada, também estaria dizendo que ela não vai disputar.

O Jornal Opção ouviu um aliado de Arruda e Flávia Arruda que é expert na política de Brasília. “Na política da capital, ‘sim’ às vezes quer dizer ‘não’ e ‘não’ quer dizer ‘sim’.” Como assim?

“É o seguinte: Arruda é o mais experimentado político de Brasília. Perto dele, Ibaneis é frango de granja. Portanto, o ex-governador avalia que não é hora de bancar, em caráter incontornável, a candidatura de Flávia para o governo. Até para evitar as pressões do governador. ‘Macaco velho’, Arruda sabe que, além de eleger Flávia, tem de constituir uma base parlamentar. Se sair falando que sua mulher está definida como candidata a governadora, Ibaneis fará o impossível para torpedear seus candidatos a deputado. Ao mesmo tempo, por ser um realista absoluto, Arruda vai examinar mais pesquisas, verificando tanto as quantitativas quanto as qualitativas, sempre com olhos de lince. Se perceber que há uma oportunidade para Flávia, vai bancá-la sem relutar”, afirma a fonte. “Mas aposto que Flávia será candidata.”

“Ao contrário do que estaria sugerindo Ibaneis, o presidente Jair Bolsonaro não fechou nenhum acordo para bancar sua reeleição. Não há nada disso. Bolsonaro é atento e sabe que o desgaste de Ibaneis pode ser intransponível, por isso já pôs em marcha um plano B, que pode ser uma aliança entre Flávia Arruda e a ministra Damares Alves, que pode ser candidata a senadora com o objetivo de tentar derrotar o senador José Antônio Reguffe (Podemos), no momento o favorito, até porque está ‘correndo’ sozinho na raia. Bolsonaro trabalha no terceiro andar do Palácio do Planalto e Flávia fica no quarto andar. Mais próximos, impossível. Como ministra do Governo, que articula a base do presidente, os dois têm conversas diárias. Bolsonaro estaria impressionado com a capacidade de articulação da ministra, que, diplomática e atenta, está contribuindo para reforçar a base parlamentar do presidente na Câmara dos Deputados e no Senado. O presidente percebeu que Flávia tem tino para a articulação política e tem procurado fortalecê-la”, afirma o especialista em Brasília.

Pesquisas indicam que, neste momento, Ibaneis Rocha ainda é forte, dado o peso da máquina pública — que o governador utiliza bem. Mas pesquisas que circulam pelo Palácio do Planalto mostram um desgaste crescente do gestor. Trata-se de um desgaste que está se consolidando. A imagem cristalizada é que Ibaneis faz muito barulho, mas administra pouco. “Políticos não podem beber muito, sobretudo uísque, senão não conseguem trabalhar o dia inteiro. Um gestor não pode começar a trabalhar a partir do meio-dia, depois da cachaçada do dia anterior. Não estou falando necessariamente de Ibaneis, mas de políticos em geral”, afirma o “brasiliogista”. “Em dois anos e quatro meses, Ibaneis conseguir deixar o brasiliense cansado dele. O que se fala, nos gabinetes e ruas, é que falta equilíbrio, ponderação e, sobretudo, experiência na área de administração pública.”

Senadores Leila Barros e Izalci Lucas

O partido Cidadania decidiu que vai bancar a candidatura da senadora Leila do Vôlei (Leila Gomes de Barros Rêgo) para o governo. O postulante do PSDB será o senador Izalci Lucas. Os dois políticos são consistentes e há quem acredite que, se o desgaste de Ibaneis — maldosamente, chamado de “Enganeis”, o que não contribui para o debate sério e propositivo — persistir e aumentar, um deles deve polarizar com Flávia Arruda, que vai acabar sendo a candidata de Bolsonaro.

Mesmo se não ganharem, Leila Barros e Izalci Lucas, que são senadores até 2026, nada perderão. Pelo contrário, ganharão exposição na mídia e seus nomes serão massificados em todos os bairros de Brasília. O que será positivo para a reeleição.

Está cedo para avaliações peremptórias, mas o que mais se comenta em Brasília, sobretudo nos bastidores, é que a tendência — repita-se: tendência — é que Ibaneis fique fora do jogo em 2022. A possibilidade de ficar fora do segundo turno é real. Há quem já esteja apostando que o segundo turno terá duas mulheres no jogo: Flávia Arruda e Leila Barros.

Já o PT deve sacrificar seu projeto em Brasília, possivelmente buscando uma composição com o candidato — ou candidata — que abrir palanque para Lula da Silva, o nome do partido para presidente da República. Se não for possível uma composição, fala-se nome da deputada federal Érika Jucá Kokay para governadora. Entretanto, como sabe que se trata de uma missão suicida — exceto pela possibilidade de Lula da Silva ser eleito em nível nacional —, é possível que ela dispute a reeleição.

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